Eduardo Catroga diz que “a TAP é um mau exemplo de interferência política continuada”

Antigo ministro das Finanças defende que os erros na companhia aérea começaram muito antes da pandemia e continuaram com o modelo de apoio escolhido, expressando o desejo de que não existam interferências no plano de reestruturação.

Eduardo Catroga considera que a “TAP é um mau exemplo de interferência política continuada”. Em entrevista à “Rádio Renascença” esta quarta-feira, 9 de dezembro, o antigo ministro das Finanças espera que a crise provocada pela pandemia seja aproveitada para fazer a reestruturação estratégica e operacional que a companhia aérea precisa.

“A TAP cresceu, melhorou o ‘cash-flow‘ operacional, renovou a frota, diversificou as rotas comerciais, teve sucesso na abertura das rotas comerciais para os Estados Unidos e, por pressão política, o Governo resolveu alterar este modelo e ficar com a criança [TAP] nos braços. Toda a gente sabe que o Estado não tem vocação do empresário/gestor e muito menos num setor altamente competitivo, numa indústria global”, referiu Eduardo Catroga.

Questionado sobre se o plano de reestruturação poderá ajudar a emendar o erro cometido pelo Executivo, o antigo ministro das Finanças do Governo de Cavaco Silva, defende que “agora o mal está feito, há que aproveitar a oportunidade que Bruxelas nos dá de apresentar um plano de reestruturação estratégica e operacional. Só espero que esse plano seja bem concebido, seja bem executado, sem interferências políticas, porque acabam por contrariar os princípios da racionalidade económica pelos quais as empresas devem pautar as suas decisões estratégicas e operacionais”.

Eduardo Catroga comentou ainda a aproximação entre PSD e Chega, após a recente eleição governativa nos Açores. “Eu não sei ainda o que é que é o Chega nem sei qual é a sua expressão eleitoral. O Chega vai colher votos da extrema-esquerda à extrema-direita, não vai ser um partido, vai ser um aglomerado de descontentes, vai engrossar os partidos antissistema”.

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