Emigrantes lesados do BES receberam 60% do dinheiro em depósitos no Novo Banco

Presidente da Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP), Luís Marques, diz que os investidores “já receberam nas suas contas [do Novo Banco} o que estava estipulado, 60% do dinheiro”.

Hugo Correia/Reuters

Os emigrantes lesados pelo BES que aceitaram a proposta feita este ano pelo Novo Banco para recuperação parcial do investimento já receberam nas suas contas bancárias o equivalente a 60% do dinheiro investido com o colapso do banco.

Esta informação foi transmitida à Lusa pelo presidente da Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP), Luís Marques, que disse que os investidores “já receberam nas suas contas [do Novo Banco} o que estava estipulado, 60% do dinheiro”.

O dinheiro foi depositado pelo Novo Banco em depósitos a prazo durante os meses de outubro e novembro.

Contudo, os emigrantes acordaram não poder mobilizar o dinheiro durante os primeiros anos.

Já em 2018, 2019 e 2020 cada cliente receberá a cada ano mais 5% do dinheiro investido em depósitos, perfazendo uma recuperação de 75% do dinheiro investido e perdido no colapso do Banco Espírito Santo (BES).

A AMELP acordou, em agosto, com o Novo Banco e com o Governo uma solução que permite aos clientes emigrantes do BES que investiram em determinados produtos financeiros (Euro Aforro 8, Poupança Plus 1, Poupança Plus 5, Poupança Plus 6, Top Renda 4, Top Renda 5, Top Renda 6 e Top Renda 7) recuperarem 75% do dinheiro ao longo dos próximos anos.

Em contrapartida, foi exigido que desistissem das ações judiciais contra o Novo Banco e seus trabalhadores.

Contudo, ainda falta a solução para os clientes que subscreveram os produtos financeiros EG Premium e Euroaforro 10, para os quais o Novo Banco ainda não tem proposta comercial.

O presidente da AMELP diz que já foi pedida uma reunião ao Novo Banco sobre o tema e que espera tê-la ainda este mês.

Após a resolução do BES, em 03 de agosto de 2014, cerca de 8.000 emigrantes de França e Suíça (o equivalente a 12 mil contas, uma vez que há clientes que têm mais do que uma conta) vieram reclamar mais de 720 milhões de euros, acusando o banco de lhes ter vendido produtos arriscados (ações de sociedades veículo), quando lhes tinha dito que se tratavam de depósitos a prazo para não residentes.

A responsabilidade sobre estes produtos ficou, na resolução do BES, no Novo Banco – o banco de transição então criado -, que propôs, em 2015, aos emigrantes (dos produtos Poupança Plus, Euro Aforro e Top Renda) uma proposta comercial, que teve a aceitação de cerca 80% do total (cerca de 6 mil clientes), que detinham em conjunto 500 milhões de euros.

No entanto, houve 1.440 clientes que não aceitaram a solução, por considerarem que não se adequava ao seu perfil e não era justa, incorporando obrigações do Novo Banco com vencimento apenas daqui a 30 anos e sem cupão anual.

Em agosto deste ano foi acordada uma nova solução entre estes emigrantes, Novo Banco e Governo para 1.440 clientes que não aceitaram a proposta do Novo Banco de 2015.

O presidente da AMELP avançou que a grande maioria dos lesados aceitou a proposta, mas sem avançar números concretos.

A associação que representa os lesados tem dito que, além do montante acordada com o Novo Banco e Governo de recuperação do investimento (até 75%), os clientes poderão receber mais 31,7% do capital em causa caso sejam considerados credores comuns do BES.

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