Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro vão decidir o próximo Presidente do Brasil

Em conjunto, os três estados representam 40% do eleitorado que vai a votos dentro de pouco mais de duas semanas e devem decidir a eleição, consideram analistas ouvidos pela Lusa.

REUTERS/Diego Vara

Os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro representam 40% do eleitorado que vai a votos nas presidenciais dentro de pouco mais de duas semanas e devem decidir a eleição, consideram analistas ouvidos pela Lusa.

Dos 156 milhões de brasileiros que vão às urnas nos 26 estados e no Distrito Federal, 34.667.793 (22,16%) são de São Paulo, seguido de Minas Gerais, com 16.290.870 (10,41%) e do Rio de Janeiro, que é o terceiro maior colégio eleitoral do país, com 12.827.296 eleitores (8,2%).

O cientista político, professor na UFPR e coordenador do Laboratório de Partidos e Sistemas Partidários (LAPeS), Bruno Bolognesi, explica à Lusa que “são os estados que devem decidir a eleição” e qualquer candidato que ambicione vencer as eleições tem de apostar forte na campanha nestes três lugares, até porque “são quem controla a economia do Brasil, que têm os maiores PIB” (Produto Interno Bruto).

Para além disso, “são estados que têm a maior classe média do Brasil e a classe média tradicionalmente define eleição”.

O cientista político lembra ainda que os estados mais ao norte e nordeste do país “vão votar massivamente” no candidato e ex-Presidente Lula da Silva, enquanto que “os estados do centro oeste e do sul tendem a votar pró-Bolsonaro”, o atual chefe de Estado.

“O que define é o sudeste”, aposta.

Segundo as últimas sondagens divulgadas na quinta-feira pelo instituto Datafolha, Lula está à frente nas intenções de voto nestes três estados. Lula lidera a disputa no Rio de Janeiro, com 44%, contra 36% de Jair Bolsonaro e em Minas Gerais e São Paulo o ex-Presidente encontra-se com 43%, com mais 10 pontos percentuais que o atual líder brasileiro.

À Lusa, o professor permanente do programa de pós-graduação em ciência política e do programa de pós-graduação em comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Urizzi Cervi, considera que São Paulo poderá ser determinante para o desfecho das eleições.

“Lula tem vantagem na região metropolitana de São Paulo e Bolsonaro está se aproximando no interior do estado”, afirma, lembrando ainda a existência de um ‘antilulismo muito forte’ no interior de São Paulo”.

Emerson Urizzi Cervi diz ainda que as campanhas “na última semana devem concentrar esforços onde estiver o eleitor indeciso”, principalmente em São Paulo e Minas Gerais.

A tendência, explica por outro lado Bruno Bolognesi, é que quanto mais se aproxima do dia da eleição o número de indecisos vai diminuir.

“A disputa está muito aberta [nos três estados] e eu acredito que na última semana” as campanhas vão focar-se no sudeste, sublinha.

“Eles abriram a campanha nesses estados e devem acabar nesses estados”, conclui.

A eleição presidencial no Brasil tem a primeira volta marcada para 02 de outubro e a segunda volta, caso seja necessária, no dia 30.

Atualmente, dez candidatos disputam as presidenciais brasileiras: Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, Simone Tebet, Luís Felipe D’Ávila, Soraya Tronicke, Eymael, Leonardo Pericles, Sofia Manzano e Vera Lúcia.

Recomendadas

Itália: Velha guarda da Liga Norte pede cabeça de Salvini após revés

A velha guarda da Liga Norte, transformada em Liga com Matteo Salvini como líder, criticou-o duramente após o revés nas legislativas de domingo.

Agência de Energia e Irão retomam contacto em Viena

O diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, reuniu-se com o chefe do programa nuclear iraniano, Mohammad Eslami, para retomar os contactos e esclarecimentos.

São Tomé: CPLP diz que comissão eleitoral é soberana na divulgação de resultados

O chefe da missão de observação eleitoral da CPLP, o embaixador Rafael Vidal, disse que a lei são-tomense não obriga à divulgação dos resultados provisórios antes da contagem nos distritos.
Comentários