“Evasivo” e “insuficiente”. Carlos Zorrinho define esclarecimentos de Zuckerberg no Parlamento Europeu

Zuckerberg “sabe que os valores pelos quais se rege a sociedade europeia são diferentes daqueles que permitiram que a partir dos EUA a rede Facebook se tivesse desenvolvido com reduzida regulação externa e interna”, realçou o eurodeputado.

Carlos Zorrinho, deputado do Parlamento Europeu, realçou hoje em declarações ao “Jornal Económico” que “a audição de Mark Zuckerberg no Parlamento Europeu tem sido avaliada sobretudo pela insuficiência do formato e pelo caratér evasivo das respostas dadas e dos esclarecimentos prestados”.

Para o socialista, “isso não aconteceu por acaso”. E porquê? “Porque Zuckerberg”, no entender de Zorrinho, “sabe que os valores pelos quais se rege a sociedade europeia são diferentes daqueles que permitiram que a partir dos EUA a rede Facebook se tivesse desenvolvido com reduzida regulação externa e interna”.

Nestas declarações ao “Jornal Económico”, Carlos Zorrinho considerou que “embora seja importante continuar a apurar tudo o que se passou com as falhas de segurança da rede, o fundamental é que este episódio inspire a União Europeia para garantir que os seus valores estão embebidos em todas as plataformas que querem operar no mercado europeu e traçar as regras para garantir a proteção de dados (de que o Regulamento Geral de Proteção de Dados é um exemplo), a segurança, a credibilidade e as condições de uso para interesse público”.

Assim, e no entender do eurodeputado, “os valores que definem a identidade europeia têm que ser transpostos para uma cada vez mais urgente identidade digital europeia. Espero que este incidente com o Facebook abra as portas para este passo determinante”.

O que disse Zuckerberg no Parlamento Europeu?

O fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, admitiu esta semana ao Parlamento Europeu que a empresa tem falhado em dar resposta ao mau uso das ferramentas da rede social. Mark Zuckerberg garantiu que se está a esforçar em tornar as publicações do Facebook mais transparentes e seguras e sublinhou que a prioridade é ajudar a aproximar mais as pessoas.

“Reconheço que não temos feito o suficiente para garantir que o Facebook não seja utilizado para maus fins. Peço desculpa por isso”, afirmou Mark Zuckerberg aos representantes no Parlamento Europeu. “A prioridade [do Facebook] é ajudar a aproximar mais as pessoas em todo o mundo. Mas não temos feito o suficiente”, acrescentou.

Depois de ter sido revelado o escândalo de acesso a dados pessoais de 50 milhões de perfis do Facebook pela consultora Cambridge Analytica, Mark Zuckerberg assegura que nos últimos meses a rede social se tem empenhado em melhorar os seus serviços. “Estamos a fazer tornar as nossas publicações mais transparentes e já se pode saber quem é o responsável pelos anúncios que aparecem no feed“.

Ainda assim, o fundador do Facebook sublinha que a segurança “não é um problema que se pode resolver”. “Temos adversários que estão a melhorar-se a si mesmos constantemente, mas queremos garantir que estaremos um passo à frente deles”, assegurou.

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