Fitch dá nota positiva à venda de barragens pela EDP

A agência promete rever o rating da elétrica portuguesa no início de 2020 devido a este negócio ir contribuir para a redução da dívida da EDP.

André Kosters/Lusa

A agência de notação financeira Fitch deu nota positiva à EDP pela venda de seis barragens a um consórcio francês por 2,2 mil milhões de euros.

“A empresa diz que planeia usar o grosso das vendas para reduzir dívida líquida, o que é positivo para o crédito do nosso ponto de vista. Vamos rever o rating à luz deste desenvolvimento no início de 2020”, segundo um comunicado publicado pela agência esta sexta-feira.

A Fitch destaca que este negócio “remove a incerteza sobre a valorização e o timing do plano de venda de ativos”, depois de a empresa ter superado numa única transação a meta estabelecida de atingir os dois mil milhões de euros na venda de ativos para o período 2019-2022.

“O alavancamento da companhia tem sido um constrangimento para o rating da EDP nos últimos anos”, destaca a agência.

A Fitch aponta que a venda vai permitir à EDP reduzir para 3,2 vezes o rácio de dívida líquida sobre o EBITDA no final de 2020, e de 3 vezes no final de 2022.

“A venda dos ativos hídricos reduz a exposição da EDP ao risco de mercado e à volatilidade dos recursos hídricos em Portugal, o que pode reduzir marginalmente o perfil de risco da empresa”, segundo a agência que aponta que os negócios com receitas reguladas ou semi-reguladas já pesam 80% no EBITDA da companhia, mais cinco pontos percentuais face ao final de 2018.

A Fitch acredita que as metas dadas pela EDP de atingir os 3,5 mil milhões de euros em 2019 são possíveis de atingir. “Está em linha com o consenso de mercado incluindo ganhos de capital da venda de rotação de ativos e tem em conta as adições nas redes no Brasil, renováveis (4,9 gigawatts (GW) assegurados em setembro de 2019 com vista à meta de 7 GW em 2022) e o foco nos ganhos de eficiência. Contudo, ainda estamos a considerar se os ganhos de capital da venda de rotação de ativos vão ser considerados como parte do EBITDA ou reclassificados como eventos extraordinários”.

 

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