Fitch melhora perspetiva do rating do BCP

A mudança de perspectiva para o rating do BCP reflete, em parte, uma maior clareza em torno do provisionamento necessário para cobrir os riscos legais do Bank Millennium com empréstimos hipotecários denominados em francos suíços, na Polónia.

Cristina Bernardo

A Fitch Ratings reviu o “outlook” [perspectiva] do Banco Comercial Português (BCP) de estável para positivo, ao mesmo tempo que reafirmou o IDR (Long-Term Issuer Default Rating) do banco em ‘BB’ e o BCP (Viability Rating) em ‘bb’.

A revisão do Outlook “reflete os progressos significativos que o banco liderado por Miguel Maya regista na redução orgânica dos activos problemáticos desde finais de 2009, apesar dos desafios que a pandemia colocou ao ambiente operacional em Portugal, e a nossa expectativa é de que esta tendência se mantenha num futuro próximo”, diz a Fitch.

A mudança de perspectiva para o rating do BCP reflete também uma maior clareza em torno do provisionamento necessário para cobrir os riscos legais do Bank Millennium com empréstimos hipotecários denominados em francos suíços, na Polónia.

“Na nossa opinião, estes elevados custos com a litigância, que irão continuar, não irão prejudicar materialmente a trajectória do capital do BCP, devido à sua melhor rentabilidade pré-imparidade face aos seus pares com um rating semelhante”, refere a nota.

A revisão em alta da perspectiva de rating do banco também leva em consideração o bom desempenho económico de Portugal esperado para 2022, e a evolução para outlook positivo na pontuação do ambiente operacional (‘bbb-‘) dos bancos portugueses em julho de 2022.

As notações do BCP reflectem principalmente a melhoria da qualidade dos activos do banco, que no entanto permanece mais fraca do que as médias nacionais e internacionais de bancos com ratings mais altos, apesar do progresso significativo registados desde 2019.

“Também reflectem a nossa opinião de que a capitalização melhorada do grupo ainda é vulnerável a choques graves na qualidade dos activos e a pressupostos em torno dos custos de litígio na subsidiária polaca, que de resto tem um forte desempenho subjacente. Estas fragilidades de rating em relação aos seus pares são no entanto mitigadas pela rentabilidade resiliente pré-imparidade do BCP, devido a uma marca líder em Portugal e a uma sólida eficiência de custos”, diz a Fitch.

A Fitch destaca a melhoria contínua do ambiente operacional do sector bancário português, que, nesse campo, fez progressos significativos desde 2016, melhorando a sua resiliência a choques.

Apesar da crise do coronavírus, a limpeza do balanço dos bancos continuou e as métricas de capitalização reforçaram-se ainda mais, reconhece a Fitch.

Os principais bancos portugueses continuaram todos a reestruturar-se para melhorar a sua rentabilidade.

“Esperamos que os bancos portugueses beneficiem grandemente de uma forte recuperação económica e de aumentos das taxas de juro em 2022 antes de entrarem num ambiente mais difícil em 2023, o que, no entanto, deverá continuar a apoiar o desempenho e os perfis de risco dos bancos”, revela a agência de rating.

O BCP é o segundo maior banco português em activos e está entre os três maiores no mercado doméstico com quotas de cerca de 18% em crédito e depósitos. O banco tem um modelo de negócio multi-canal e mais diversificado do que alguns dos seus pares locais.

A Fitch destaca que a qualidade dos activos do BCP melhorou em 2021 e no primeiro semestre de 2022. O rácio de malparado diminuiu para cerca de 4,3% no final de Junho de 2022, devido a uma gestão activa dos empréstimos em incumprimento herdados, particularmente através de vendas e amortizações.

O seu rácio líquido de activos problemáticos, incluindo os activos imobiliários dados em dação por cumprimento de crédito, continuou a diminuir de 7,5% em 2020 para cerca de 5,2% no final de Junho de 2022. Apesar disso a qualidade dos activos do BCP continua a ser pior do que a dos seus pares portugueses e do sul da Europa.

A rentabilidade operacional do BCP continuará a ser desafiada  em 2022-2023, nomeadamente devido a perdas materiais na Polónia, devido a grandes provisões sobre empréstimos hipotecários denominados em francos suíços (exposição total de cerca de 2,4 mil milhões de euros no final de Junho de 2022, equivalente a cerca de metade do “common equity tier1 (CET1)”.

“Esperamos que os  resultados operacionais recuperem em 2023 para mais de 2% dos activos ponderados pelo risco (RWAs) o que compara com menos de 1% em 2022, apoiados por taxas de juro mais elevadas e um rácio custos/receitas inferior a 50%.”

A Fitch alerta que as almofadas de capital do BCP comparam mal com os seus pares de média dimensão do sul da Europa e ainda são vulneráveis a graves choques na qualidade dos activos, devido à elevada exposição do banco a créditos problemáticos sem garantias (créditos líquidos em Stage 3 – com imparidade); a activos imobiliários executados e a fundos de reestruturação.

“Estimamos a exposição a ativos problemáticos sem garantias em cerca de 40% do capital CET1 na versão fully loaded no final de junho de 2022″, diz a Fitch.

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