Formação é uma oportunidade de desenvolvimento

Conjuntura não permite antecipar andamento da procura em 2022, mas a “corrida” da formação faz-se no longo prazo.

Simples Análises (SA Formação)

Portugal e, mais além o mundo, estão a sair de uma pandemia de dois anos, as cadeias de abastecimento continuam estranguladas, a inflação não pára de subir e a Europa enfrenta uma guerra devastadora na Ucrânia. A conjuntura é tudo menos estável e clara. Que impacto terá no curto prazo na formação executiva em Portugal? Como se antecipa o ano?

“Tipicamente os programas customizados e os programas de inscrição aberta andam em contra-ciclo em termos de negócio”, afirmaFilipa Cristóvão, diretora do ISEG Executive Education, ao Jornal Económico. A responsável do ISEG coloca em cima da mesa as duas face da moeda, mas não arrisca além da explicação.

“Neste momento complexo com a incerteza ligada ao contexto internacional — explica — há alguma retração nas decisões individuais, pelo que é natural alguma quebra de procura em programas abertos.

No caso dos programas customizados que vivem de orçamentos e do planeamento de formação que é realizado pelas empresas, há algum desfasamento no ajustamento das decisões. Assim, o impacto direto nesta área de negócio da instabilidade internacional é sentido mais tarde, previsivelmente no ano seguinte”.

Apontar metas para os programas customizados para empresas, neste momento, também merece ressalvas de Catarina Quintela, diretora da Área de Corporate Solutions, da Porto Business School.

“Torna-se difícil antecipar o ano com o cenário de guerra que, a manter-se, pode conduzir as empresas a centrarem-se no seu core business e a adiar os planos de desenvolvimento no contexto da formação”. Uma coisa é a conjuntura, outra o futuro além desta.

A responsável da escola de negócios da Universidade do Porto destaca a necessidade estrutural de formação na sociedade portuguesa e o seu potencial a longo prazo. “Notamos claramente uma intenção e procura muito fortes das empresas que veem na formação uma oportunidade de desenvolvimento e retenção de talento”. Mas não só.

Catarina Quintela também vê na formação “uma oportunidade de voltar a juntar as pessoas”, reforçando a cultura organizacional num paradigma de trabalho que assumiu contornos diferentes”. Como tendência, a customização, e a personalização da formação executiva têm um futuro pela frente. De igual modo, também as “jornadas individuais através do coaching, mentoria e tutoria” são “uma realidade crescente”, na perspetiva da responsável da PBS.

“No que diz respeito aos formatos deste tipo de formação customizada, outra certeza que temos é que o online (síncrono e assíncrono) e o híbrido vieram para ficar”, afirma Catarina Quintela.

Por seu turno, Céline Abecassis-Moedas, diretora da Formação de Executivos da Católica Lisbon School of Business & Economics, diz ao Jornal Económico que se nota já uma retoma de normalidade por parte das empresas no que diz respeito a sentirem-se confortáveis em voltar a ter os seus quadros em formações de grupo presenciais.

“Muitas empresas, tendo-se já apercebido das vantagens que o online também tem, procuram também formações em regime blended”, refere. Ao longo de 2022, a Católica-Lisbon tem sido “novamente procurada pelos diversos setores incluindo empresas nacionais e também internacionais”, adianta.

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