Fórum da Indústria Farmacêutica. Pandemia veio reforçar a importância da investigação e da inovação

Daniel Torres Gonçalves, sócio da PRA – Raposo, Sá Miranda & Associados, e Sérgio Alves, Country President da AstraZeneca Portugal, participaram no painel “O Papel da Indústria Farmacêutica na Economia” do Fórum da Indústria Farmacêutica, que decorre esta manhã no Pestana Palace, em Lisboa.

A noção da importância dos dados de saúde – a forma como estão organizados, partilhados e acessíveis – , aumentou durante a pandemia de Covid-19, afirmou Daniel Torres Gonçalves, sócio da PRA – Raposo, Sá Miranda & Associados no Fórum da Indústria Farmacêutica que decorre esta manhã no Pestana Palace, em Lisboa.

No painel “O Papel da Indústria Farmacêutica na Economia”, o advogado aludiu à proposta de regulamento para o Espaço Europeu dos Dados em Saúde, sublinhando uma tendência que já existia, mas que acelerou em pandemia.

Nas palavras de Daniel Torres Gonçalves, “se estes dois anos nos ensinaram alguma coisa” foi, por um lado, a “fragilidade da saúde” em Portugal e do nosso modo de vida.

Além disso, o período pandémico veio reforçar a importância da investigação e da inovação, originando medidas legislativas nesse sentido.

No contexto regulatório europeu, é possível antecipar algumas medidas, motivadas e aceleradas pela crise pandémica, segundo Daniel Torres Gonçalves.

Questionado sobre se o enquadramento existente em Portugal é propício ao desenvolvimento da investigação, Daniel Torres Gonçalves considera que “tem havido alterações legislativas que abrem oportunidade à indústria”, levando a um maior reconhecimento da “importância do sector”. “Mas vamos ver como vão funcionar na prática”, ressalvou.

Quanto ao papel do Estado, o advogado defende que “é importante que os constrangimentos existam”, “mas é fundamental que sejam os necessários”

“Efetivamente é importante que neste sector exista regulação para que a segurança esteja assegurada”, continuou, apresentando como um dos principais desafios do sector “encontrar o ponto de equilíbrio entre a proteção da saúde e a promoção do desenvolvimento”.

Sérgio Alves, Country President da AstraZeneca Portugal, sublinhou que o grupo quer “contribuir com mais investigação e inovação” para o mercado português-

“Antes da pandemia, não só já tínhamos a noção do impacto na inovação pré-pandemia, como percebemos com clareza durante o período da pandemia, o que nos dá uma legitimidade adicional o fazer uma reflexão sobre o papel da investigação para percebermos no presente o que estamos a fazer”, disse o mesmo responsável.

Contudo, Sérgio Alves alerta que a indústria ainda não é tida como um “motor económico do país”,

“Quando pensamos nas condições do acesso à investigação”, “fundamentais para garantir o investimento local de forma consistente e sustentada”, Portugal está na “cauda da Europa”.

“A pandemia foi paradigmático… O que sentimos é que ainda estamos a andar a velocidades distintas. Tenho uma perspetiva positiva, sinto que estamos no caminho certo, mas atrás do que devíamos estar”, considerou Sérgio Alves.

O Fórum da Indústria Farmacêutica conta o apoio da Janssen Portugal, GSK, Astellas, PRA – Raposo, Sá Miranda & Associados e AstraZeneca, estando a ser transmitido na plataforma multimédia JE TV, em www.jornaleconomico.pt.

Recomendadas

Premium“Redudâncias” condicionam contabilistas

Num sector onde a digitalização acelerou nos últimos anos, os profissionais continuam a queixar-se de uma burocracia excessiva que os afasta das suas atividades nucleares. Atração e retenção de talento é outro dos principais desafios.

PremiumMira com investimento de 30 milhões para gestão da água

Compatibilizar valores e recursos naturais com o aproveitamento do potencial para a produção de hortofrutícola no Aproveitamento Hidroagrícola do Mira é o maior desafio da região, afirmou o secretário de Estado da Agricultura.

Gonçalo Moura Martins defende que empresas portuguesas precisam de escala

O CEO da construtora falava num painel de empresários constituído por António Pires de Lima, CEO da Brisa, Jorge Rebelo de Almeida, presidente do Grupo Vila Galé, e Francisco Cary, administrador da Caixa Geral de Depósitos, sobre o atual contexto de crise.
Comentários