Greve na Docapesca com 80% de adesão e sindicato não descarta nova paralisação

A greve dos trabalhadores da Docapesca encerrou 13 das 16 lotas, com uma adesão de 80%, indicou à Lusa um sindicato que representa o setor, não descartando a possibilidade de recorrer a uma nova paralisação.

A greve dos trabalhadores da Docapesca encerrou 13 das 16 lotas, com uma adesão de 80%, indicou à Lusa um sindicato que representa o setor, não descartando a possibilidade de recorrer a uma nova paralisação.

“Das 16 lotas, por enquanto, só três conseguiram fazer leilão. A adesão ronda os 80%”, adiantou, em declarações à Lusa, o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagens, Transitários e Pesca (Simamevip) Joaquim Gomes, ressalvando que a greve decorre até às 00h00.

De acordo com a estrutura sindical, apenas as lotas de Sesimbra, Sines e Quarteira conseguiram fazer leilão.

Joaquim Gomes disse ainda que, até ao momento, o sindicato não recebeu qualquer resposta por parte da Docapesca às reivindicações dos trabalhadores, não descartando, por isso, a possibilidade de recorrer a uma nova greve.

“Vamos reunir e esperar para ver o que a empresa diz. Se não tivermos respostas, em princípio, vamos avançar com um novo aviso de greve”, concluiu.

A Lusa contactou a Docapesca, mas não obteve resposta.

Num comunicado divulgado na terça-feira, o Simamevip, afeto à CGTP, já tinha considerado “inaceitável” a proposta da Docapesca de um aumento de 10 euros para os trabalhadores que ganham o salário mínimo nacional.

O sindicato lamentou também a proposta de haver autorização governamental para aumentar, a partir de julho, em 20 euros, os trabalhadores que auferem remunerações até 750 euros e os restantes em 10 euros.

A estrutura sindical disse, na altura, que a empresa propôs também iniciar negociações para a revisão global das tabelas salariais, com produção de efeitos em 2023, isto se as formas de luta fossem levantadas.

Na quarta-feira, a Docapesca lamentou o impasse negocial com o sindicato da CGTP, considerando que a proposta que fez beneficiaria os trabalhadores e disse que a greve de três dias irá penalizar a economia.

“A Docapesca continua empenhada em melhorar as condições dos seus, assim como em minimizar as gravosas consequências de mais esta greve, que irá afetar negativamente a atividade económica do país, num contexto de forte incerteza que se vive como resultado do conflito no leste europeu”, referiu, em comunicado, a empresa pública responsável pela gestão dos portos de pesca e organização da primeira venda de pescado em Portugal Continental.

Segundo esta empresa, as negociações com os sindicatos Simamevip (CGTP) e Sindepescas (UGT), que estavam interrompidas desde março de 2022, foram recentemente retomadas, pois reconheceu ser baixo o valor do salário mínimo nacional pago a 60% dos trabalhadores, pelo que iniciou “um processo de revisão da tabela salarial, com impacto nos próximos anos, e um ajuste imediato nos escalões da tabela, a qual remonta a 2018”.

A Docapesca notou que as estruturas sindicais reconheceram a importância da retoma negocial, mas “não demonstraram concordância com o valor do ajuste imediato às remunerações, inicialmente apresentado”, pelo que fez uma nova proposta, desta vez de um aumento salarial de 20 euros a todos os trabalhadores que auferem remunerações até 750 euros e um aumento de 10 euros para os restantes trabalhadores, com efeitos a 01 de julho de 2022.

Contudo, acrescentou, que o sindicato afeto à CGTP voltou a recusar proposta e manteve o pré-aviso de greve para os dias 09, 11 e 13 de junho.

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