Há uma “sinfonia do outro Mundo!” a estrear no Teatro de Vila Real

Lendas transmontanas, com música original de Nélson Jesus e libreto de António Manuel Pires Cabral, dão vida à “Sinfonia Lendária”, que se quer uma homenagem ao imaginário transmontano. Para ver e ouvir dia 27 de maio.

O dicionário oferece-nos vários significados para a expressão sinfonia. Escolhemos este: “interlúdio orquestral numa obra dramática musicada”. Depois, procurámos o significado de lendário: “relativo a lenda; imaginário; fabuloso”.

Porquê? Porque a sugestão que aqui deixamos é a da estreia de “Sinfonia Lendária – uma sinfonia do “outro” Mundo!”, a mais recente criação da Banda Sinfónica Transmontana, dia 27 de maio no grande auditório do Teatro de Vila Real. Para conceber o libreto, lançou-se o repto ao escritor transmontano António Manuel Pires Cabral, e na vertente musical, o desafio recaiu sobre o compositor Nélson Jesus.

Luís Santos, da direção criativa da Banda Sinfónica Transmontana, explica em comunicado que a escolha de A.M. Pires Cabral era incontornável, na medida em que o  imaginário do escritor percorre todo o património imaterial transmontano. Daí que a sinfonia seja habitada por “personagens como a Morte, o Diabo, as Bruxas e os Trasgos, os Padres e  os velhos Guardiões da arca da memória, tudo elementos que sustentam o mundo fantástico da cultura popular”.

Do lado do autor, primeiro a surpresa. Pelo convite. Depois, a dúvida. Perante tal desafio. “Achei a empreitada arriscada e cheguei a duvidar de que fosse capaz de produzir um libreto aceitável”, recorda. Mas desistir não verbo que conjugue, pelo que abraçou o seu lema de vida – “Para a frente é que é o caminho” – e arregaçou as mangas. O mesmo é dizer, deu largas à escrita.

Para o compositor Nélson Jesus, transformar as palavras em notas musicais foi uma tarefa “fácil”. E explica porquê. O “mestre” Pires Cabral sugeriu, diz, “pensar numa música de uma sarabanda”, uma dança barroca, lenta e ternária que o jovem compositor utilizou “na forma macroscópica da peça e em pequenos elementos, como uma forma de ‘pilares de betão’ da estrutura” da obra, resume.

Luís Santos coloca a tónica no poder invocatório da lenda, e na sua capacidade de convocar o riso, a tragédia, a malícia e a sabedoria das gentes da região. “Sinfonia lendária” ambiciona a ficar na história do repertório da Banda Sinfónica Transmontana e quer ser um espetáculo do “outro Mundo!”, brincado com o subtítulo que acompanha esta criação e que vai também proporcionar uma experiência multimédia e jogo de luzes.

Uma identidade vincada

Nascido em Chacim, no concelho de Macedo de Cavaleiros, A.M. Pires Cabral é um dos mais discretos – ainda que mais destacados – escritores portugueses das últimas cinco décadas. Estreou-se em 1974, ano da Revolução dos Cravos, com “Algures a Nordeste”, a que se seguiu meia centena de títulos, dos mais diversos géneros. Conta nesta sua longa carreira com galardões prestigiados, como os D. Dinis, Luís Miguel Nava (de poesia), dst (de literatura em geral), Camilo Castelo Branco da APE (de conto) e P.E.N. Clube (de poesia).

O espetáculo tem início previsto para as 21h30. Os bilhetes estão à venda no Teatro de Vila Real – site e in loco –, bem como nos locais habituais.

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