Iraque. Violência regressa às ruas de Bagdad

Apoiantes de clérigo xiita Muqtada Al-Sadr entraram em confronto com forças de segurança iraquianas na capital, fazendo regressar a violência, depois de algumas semanas de paz política.

Ahmed Saad/Reuters

Apoiantes do líder religioso xiita do Iraque, Muqtada al-Sadr, tentaram esta quarta-feira invadir mais uma vez a área governamental da Zona Verde de Bagdad enquanto o parlamento iraquiano realizava uma sessão sobre a renúncia do seu presidente. Segundo a Al Jazeera, que se encontra no local, os manifestantes atiraram pedras sobre as forças de segurança tentaram entrar no edifício.

Desta vez, o problema é que o presidente do parlamento está a tentar quebrar a aliança com Muqtada al-Sadr para se juntando à aliança rival, que está a tentar formar uma nova coligação que consiga eleger um novo primeiro-ministro e um novo governo com apoio parlamentar – onde o líder xiita, desalinhado com o Irão, não tem representação, depois de todos os seus deputados terem abandonado a estrutura.

O confronto entre as forças de segurança e os apoiantes de al-Sadr ocorre quase um mês após o início dos combates entre milícias que apoiam al-Sadr e outras que suportam os seus rivais xiitas. Os confrontos ocorreram inicialmente a 30 de agosto e deixaram mais de 30 mortos.

O bloco de Al-Sadr foi o mais votado nas eleições parlamentares de outubro passado, mas não conseguiu formar um governo maioritário, pelo que o seu líder ordenou que renunciasse em massa ao parlamento, o que aconteceu em junho.

De então para cá, Al-Sadr pede insistentemente a dissolução do parlamento e a marcação de eleições antecipadas, coisa que a fação contrária, também xiita e apoiada pelo Irão, se recusa a admitir.

Como a história recente do Iraque demonstra que é mais fácil a eclosão de violência armada que a resolução dos problemas por via eleitoral e parlamentar, os observadores internacionais, ONU e União Europeia incluída, têm-se desdobrado nos apelos à contenção e à negociação política – mas tudo indica que as forças iraquianas estão perto de optar pela tradicional solução mais fácil.

Relacionadas

PremiumMuqtada al-Sadr ou a tentação nacionalista no Iraque

O nacionalismo parece ser a fórmula certa para impedir o proselitismo de alguns radicais islâmicos. Mais vale um nacionalista mal encarado que um radical sorridente

Iraque: Al-Sadr consegue serenar os ânimos em Bagdad

Uma ordem de abandono dos confrontos foi prontamente seguida pelos partidários do poderoso líder xiita. Mas para trás ficaram 30 mortos e mais de 700 feridos.
Recomendadas

Governo italiano aprova envio de armas à Ucrânia para todo o ano de 2023

O Governo italiano aprovou um decreto prolongando o fornecimento de ajuda, incluindo armamento, à Ucrânia para todo o ano de 2023.

PremiumUcrânia à espera do inverno e dos mísseis norte-americanos Patriot

A NATO não parece disposta a enviar os mísseis para a Ucrânia, e a Rússia já avisou que, se isso acontecer, tirará as devidas ilações.

PremiumProtestos na China “não têm dimensão de revolta política”

Os protestos face à política Covid zero na China chegaram a assumir alguma violência, mas os analistas não conseguem descobrir em Guangzhou qualquer sintoma da morte iminente do regime de Xi Jinping. ANATO manteve um olhar atento ao país asiático.
Comentários