Itália: Liga e M5S não conseguem chegar a acordo sobre o Orçamento

Os dois partidos que suportam o governo de Conte não conseguem convergir num conjunto de medidas que alterem o Orçamento para agradarem a Bruxelas.

Giuseppe Conte

Os dois partidos que formam o governo italiano, a Liga e o Movimento 5 Estrelas (M5S), não conseguem chegar a acordo sobre as alterações a introduzir no Orçamento de Estado para 2019 – que foi reprovado pela Comissão Europeia e pela Zona Euro.

A Liga continua indisponível para aceitar uma série de medidas que o M5S quer introduzir, como forma de tornar o documento ‘aceitável’ pela Comissão. Matteo Salvini, líder da Liga, não aceita algumas das disposições que o presidente do movimento Luigi di Maio quer implementar.

O governo e a maioria tentam sair do impasse sobre o Orçamento e apresentam um primeiro pacote de 54 emendas ao Comité do Orçamento. As emendas devem estar fechadas nos primeiros dias desta próxima semana, mas para já não há acordo, nomeadamente sobre o aumento dos salários mais baixos.

Numa nota assinada em conjunto, Salvini e Di Maio, escrevem que o primeiro-ministro “Giuseppe Conte está a trabalhar no potencial da agenda de reformas que levará o país a crescer, evitando o risco de uma terceira recessão e abrindo uma perspetiva de futuro melhor para a Itália”.

As medidas propostas relançam “o emprego e a produtividade, estendendo a mão àqueles que ficaram para trás nos anos de crise, dando fôlego ao consumo e buscando investimentos como trampolim fundamental para o crescimento de longo prazo”.

A oposição, mesmo a de direita, como a Forza Itália, de Berlusconi, começa a perder a paciência com o governo, acusando o executivo, num primeiro momento, de afinal estar pronto para ceder à União Europeia e depois de não conseguir chegar a um acordo. “Tanto barulho para nada”, comentou um dos seus dirigentes, sobre a cedência à Europa – que as duas formações que se associaram para formar governo tinham dito que nunca aconteceria.

Os dois partidos estão a tentar chegar a acordo sobre um conjunto de medidas que permitam manter o défice para os próximos anos bem abaixo da fasquia dos 3% – única forma de convencer a União Europeia a não iniciar os procedimentos por défice excessivo, que iria reduzir o financiamento vindo de Bruxelas.

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