Jornalistas denunciam obstáculos ao seu trabalho na Conferência dos Oceanos. Guterres não responde, Marcelo diz que vai verificar

Jornalista brasileiro denunciou em conferência de imprensa o tratamento dado à comunicação social no evento organizado pela ONU, e que o JE pode observar no local. Guterres rejeitou responder, mas Marcelo disse que vai verificar as condições.

Jason Szenes/EPA via Lusa

O Presidente da República disse hoje que vai “verificar” os obstáculos ao trabalho dos jornalistas na Conferência dos Oceanos, organizada pelas Nações Unidas que está a ter lugar em Lisboa.

A denúncia foi feita por um jornalista brasileiro durante a conferência de imprensa conjunta do secretário-geral das Nações Unidas e Marcelo Rebelo de Sousa que teve lugar esta segunda-feira na Altice Arena.

“Sobre liberdade de imprensa: porque é que temos tantos obstáculos neste evento? Não podemos deixar a sala de imprensa sem escoltas”, questionou jornalista da Exame Brasil, Gustavo Caetano.

António Guterres não quis responder à pergunta, mas Marcelo Rebelo de Sousa respondeu.

“Não sabia que existiam obstáculos nesta conferência. Foi uma surpresa. Vou verificar”, respondeu o Presidente da República, destacando que a liberdade de imprensa em Portugal é sagrada.

Tal como o Jornal Económico tem observado no local, existe muita pressão da organização sobre os jornalistas, impedindo-os de deslocarem-se livremente dentro das zonas comuns do recinto, como os corredores entre o centro de imprensa e a sala principal da Altice Arena.

Para deixar a sala de imprensa e deslocarem-se para o centro da Altice Arena, onde decorrem os trabalhos, os jornalistas têm de ser escoltados por alguém da organização. Para regressar à sala de imprensa, os jornalistas têm de esperar novamente por alguém da organização.

Antes de um evento começar, é feita uma chamada na sala de imprensa para juntar os jornalistas em grupo e levá-los para o local. Vários membros da organização já chegaram mesmo a aconselhar os jornalistas a acompanharem os trabalhos a partir do centro de imprensa através de emissão video e não no próprio local onde decorre um dos eventos ao longo do dia.

Esta postura da organização tem indignado as dezenas de jornalistas, fotojornalistas e repórteres de imagem portugueses no local – entre imprensa escrita, televisão e rádio -, assim como os jornalistas estrangeiros, alguns dos quais cobriram cimeiras como a COP noutros países e não percebem as limitações à circulação impostas em Lisboa.

Outro evento que contrasta com este em termos de organização dos jornalistas é a Web Summit que decorre em novembro todos os anos no mesmo espaço: os jornalistas podem deslocar-se livremente entre a sala de imprensa e as bancadas da Altice Arena. A zona para a comunicação social dentro da Altice Arena fica próxima do centro de imprensa e não do lado oposto, como acontece atualmente, o que obriga os jornalistas a andarem mais e a cruzarem-se com mais delegados, precisamente, o que a organização pretende evitar.

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