Mais intervenção e credibilização. Os quatro desafios estratégicos de Mário Centeno para o Banco de Portugal

O novo governador do Banco de Portugal considera que a instituição deve assegurar uma supervisão mais “exigente e proativa”, procurar influenciar a política monetária europeia e crebilizar os processos de resolução bancária, protegendo as finanças públicas.

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José Sena Goulão/Lusa

O recém empossado governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, elencou esta segunda-feira, na tomada de posse, quatro desafios estratégicos para o Banco de Portugal. Mário Centeno considera que o regulador da banca deve assegurar uma supervisão mais “exigente e proativa”, procurar influenciar a política monetária europeia e crebilizar os processos de resolução bancária, protegendo as finanças públicas.

“O BdP tem de ser uma instituição de referência, que congrega muitos dos melhores técnicos formados nas melhores universidades portuguesas. Tem de se tornar sinónimo de ação coletiva com as restantes instituições nacionais e europeias para enfrentar os inúmeros desafios do futuro próximo”, defendeu Mário Centeno, no discurso de tomada de posse, no Salão Nobre do Ministério das Finanças.

Para o ex-ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, “o Banco de Portugal enfrenta quatro desafios estratégicos”. Primeiro, a supervisão. Mário Centeno considera que é preciso assegurar uma supervisão mais “eficiente, exigente e proativa”, para que “criando confiança”, se “crie valor num mundo em que a transição digital tem alterado profundamente a prestação de serviços financeiros”.

Segundo, o novo governador considera que o Banco de Portugal deve procurar “participar e influenciar a política monetária europeia, em prol do crescimento da área do euro inclusivo e estável, num contexto de taxas de juro baixas e em que as medidas de política monetária não-convencionais têm um papel reforçado”.

Em terceiro lugar, considera que o regulador deve “definir uma política macro potencial que assegure a estabilidade do sistema financeiro e não permita a acumulação de riscos sistémicos, que ponham em causa a estabilidade do sistema e o financiamento eficiente da economia”. A ideia é que o Banco de Portugal crie “uma estratégia nacional que permita a Portugal vencer os importantes desafios que se lhe colocam na Europa e no mundo”.

Por fim, Mário Centeno considera que é preciso “credibilizar as estratégias, os mecanismos e o processo de resolução bancária”. Isso para que se assegure “a estabilidade financeira” e garanta a proteção do “erário público”.

“O país precisa, como nunca, de instituições fortes e renovadas e de lideranças capazes de enfrentar os desafios que se nos põem com determinação num contexto europeu e mundial competitivo. É com enorme entusiasmo, mas sobretudo com responsabilidade e plena consciência dos desafios futuros  que encaro a liderança do BdP numa instituição central para a República”, frisou Mário Centeno, na tomada de posse.

O ex-ministro sustentou ainda que “a independência do Banco Central não se questiona, nem se impõe”. “Ao Banco de Portugal, não cabe ter estados de alma, acerca da natureza da sua independência, muito menos ao seu Governador. Mas também não cabe ao Banco de Portugal viver para si próprio e fechado sobre si próprio. Isso não assegura a independência, cria a irrelevância”, referiu Mário Centeno.

“A capacidade técnica, de intervenção pública e política e o capital reputacional de toda a instituição, começando pelo Governador, são a melhor garantia de uma instituição sólida, coesa e que viva para  a sociedade”, concluiu.

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