Manuel Pinho: “Nego ter recebido um euro que seja do BES ou do GES” 

O antigo governante considerou também que seria “totalmente insuportável se algum dia fosse provado” que favoreceu “a EDP ou o BES ou seja quem for”

O ex-ministro da Economia Manuel Pinho rejeitou as ideias de que recebeu dinheiro do Banco Espírito Santo (BES) ou do Grupo Espírito Santo (GES), bem como negou ter favorecido a EDP, acusações de que é alvo.

“Nego ter recebido um euro que seja do BES ou do GES que não fosse devido”, disse Manuel Pinho em entrevista ao Expresso e divulgada, esta sexta-feira, pela Sic Notícias.

O antigo governante considerou que seria “totalmente insuportável se algum dia fosse provado” que favoreceu “a EDP ou o BES ou seja quem for”. Sobre as acusações de que é alvo o homem que foi ministro do executivo de José Sócrates explicou ainda que diz a si mesmo para manter calma e deixar que o acusem. “Na altura dá-se a resposta certa”, sublinhou.

O antigo ministro da Economia Manuel Pinho ficou, esta quarta-feira, a conhecer as medidas de coação: ficará em prisão domiciliária até julgamento no caso Energias de Portugal (EDP), ficando sujeito ao pagamento de uma caução de seis milhões de euros.

Na sessão desta quarta-feira, no Campus da Justiça, em Lisboa, o Ministério Público (MP) tinha pedido prisão preventiva para Manuel Pinho no âmbito do caso EDP.

Suspeito de corrupção e branqueamento de capitais, foi detido na terça-feira de manhã, após comparecer para interrogatório no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Manuel Pinho foi constituído arguido no âmbito do caso EDP no verão de 2017, num processo relacionado com dinheiros provenientes do Grupo Espírito Santo.

No mês passado, uma nova investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas (Pandora Papers) incluiu o nome de Manuel Pinho na lista de políticos envolvidos em ocultação de fortunas em paraísos fiscais, comprovando a existência de uma sociedade offshore ligada a Pinho que já era do conhecimento do Ministério Público.

Manuel Pinho é suspeito, segundo o MP, de, em 2007, ter favorecido os interesses da EDP na fixação dos termos de entrada em vigor do regime CMEC (Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual), para a remuneração de mais de duas dezenas de centrais da EDP.

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