Marcelo avisa Governo para não esperar pelo OE para explicar aos portugueses o cenário macroeconómico para 2023

“Isso é muito importante para que os portugueses percebam que, quando o Governo diz que não pode ir mais longe agora, é porque o que vem aí é mau”, avisou Marcelo.

O momento era de música e comemoração – um concerto para comemorar os 46 anos de carreira do cantor João Gil – mas o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aproveitou um momento à margem da ocasião para lançar avisos ao Governo sobre o Orçamento do Estado para 2023, cuja proposta terá de ser apresentada dentro de três semanas. Até lá, disse Marcelo aos jornalistas, o Governo ganharia se divulgasse o quadro macroeconómico com o qual os portugueses poderão contar no final deste ano/inicio do próximo.

“Estamos a três semanas da entrega do Orçamento do Estado (OE), e OE é acompanhado de um cenário [macro-]económico”, recordou Marcelo. E é nesse quadro que estão os dados que o Governo deve apresentar já ao país. “O Governo tem de dizer ao país: no ano que vem, o crescimento, em vez de ser 6/7% é 1% ou 2%? A inflação continua alta ou não? O país continua em pleno emprego ou não? Turismo: continua ou não continua? O investimento continua ou não continua? O consumo continua alto ou quebra?”, perguntou – em forma de aviso – o presidente, citado pelo Expresso e pelo Observador.

“Isso é muito importante para que os portugueses percebam que, quando o Governo diz que não pode ir mais longe agora, é porque o que vem aí é mau”, avisou Marcelo.

Para Marcelo, esse enquadramento “é muito importante para que os portugueses percebam quando o Governo diz ‘não posso ir mais longe porque o que vem aí é mau’”.

O Presidente da República salienta que “o Governo é o primeiro a ganhar em explicar” o porquê de não ter ido mais longe nos apoios concedidos e que, provavelmente, está à espera de ter a proposta de OE fechada para “apresentar essas explicações”. Mas essa demora tem um custo, contrapõe Marcelo.

“Esse intervalo, que são três semanas, faz com que muita gente diga: ‘Não percebemos porque é que não dá mais’”, disse. Ou seja, porque desta forma os portugueses não percebem que implicações a guerra e a crise energética na Europa poderão continuar a ter para o crescimento das economia nacional.

O Presidente foi ainda questionado pelos jornalistas sobre o que pensa em relação às pensões, mas desvalorizou as eventuais alterações da fórmula de cálculo para fixar, anualmente, as mesmas. Marcelo apenas quer dar a sua opinião sobre o eventual corte nas pensões – como diz a oposição – ou manutenção das prestações – como garante o governo – no final do ano que vem, 2023. Nessa altura, salienta, é que se fará o cálculo para 2024.

“Gostaria que se falasse mais é das previsões para o próximo ano”, frisou Marcelo.

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