PremiumMichelle O’Neill: uma primeira-ministra em forma de assim

A fronteira entre as Irlandas, transferida algures para o mar, é talvez a maior desonestidade intelectual que Londres e Bruxelas engendraram no meio da tempestade que é o Brexit

Primeiro foi a Escócia, agora a Irlanda do Norte: aos poucos, enquanto tenta conciliar a realidade dura do Brexit com as histórias de encantar que o atual primeiro-ministro britânico foi vendendo antes de assumir o cargo, a Inglaterra vai ficando sitiada por governos regionais que admitem ter um vasto apreço pelo federalismo mais ou menos assumido da União Europeia e uma séria reserva em relação ao orgulho solitário que emana por baixo da porta do número 10 de Downing Street – à mistura com os eflúvios próprios das festas particulares.

Michelle O’Neil é a primeira líder do até há pouco suspeito e possivelmente terrorista Sinn Féin – a face serena do Exército Revolucionário Irlandês (IRA, Revolucionário, não: Republicano, mas no caso é quase o mesmo) – a chegar ao poder e a instalar nesse poder alguém que não quer continuar a fazer parte do Reino Unido. Não é uma alteração qualquer: não é como se a oposição tivesse ganho um governo regional qualquer e se fosse submeter à tradicional alternância democrática. Não: é como a Esquerda Republicana (que também podia ser Revolucionária) da Catalunha a liderar a autonomia – é o inimigo no poder, o inimigo com quem o poder central e a sua discricionariedade vai ter de conversar. É uma grande chatice. E uma derrota para Boris Johnson.

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