Miguel Albuquerque diz que decisões sobre o mar são difíceis porque não se enquadram nos ciclos eleitorais

“Vamos ser francos e objetivos: grande número de decisões não são tomadas porque não se enquadra nos ciclos eleitorais”, disse Miguel Albuquerque, acrescentando: “É muito mais fácil tomar decisões políticas com impacto no mundo mediático a curto prazo do que tomar decisões como estas, que têm um impacto num horizonte temporal mais largo”.

O presidente do Governo da Madeira afirmou hoje ser difícil tomar decisões ao nível da política do mar porque não se enquadram nos ciclos eleitorais e sublinhou que o alargamento da reserva das Selvagens constitui um marco histórico.

“Vamos ser francos e objetivos: grande número de decisões não são tomadas porque não se enquadra nos ciclos eleitorais”, disse Miguel Albuquerque, acrescentando: “É muito mais fácil tomar decisões políticas com impacto no mundo mediático a curto prazo do que tomar decisões como estas, que têm um impacto num horizonte temporal mais largo”.

Miguel Albuquerque, que lidera o executivo madeirense de coligação PSD/CDS-PP, falava no encerramento da conferência “Ilhas Selvagens – Um catalisador para a Economia Azul Sustentável nacional”, que decorreu no Funchal, integrada nas comemorações dos 50 anos da criação daquela reserva, um subarquipélago localizado a cerca de 300 quilómetros a sul da Madeira.

O governante disse que o alargamento da reserva, formalizado em março de 2022, resultou de uma decisão conjunta do Governo Regional e do Governo da República, chefiado pelo socialista António Costa, com o suporte da ONU e da National Geographic Society.

“Março de 22 fica na nossa história”, declarou, reforçando: “Somos o país europeu que, neste momento, tem a reserva marinha maior do Atlântico Norte”.

A reserva das Selvagens cobre agora 2.677 quilómetros quadrados numa área de 12 milhas náuticas em redor das ilhas, onde todas as espécies existentes estão totalmente protegidas de atividades extrativas, tais como a pesca ou a exploração de materiais inertes.

O chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, almirante Gouveia e Melo, também discursou no encerramento da conferência e alertou, por seu lado, para o facto de a preservação das áreas marinhas implicar necessariamente capacidade de o Estado se apropriar do mar.

“Quem julgar que a lei internacional é suficiente para garantir os nossos direitos, que durma descansado, que depois um dia vai acordar muito preocupado”, disse.

Gouveia e Melo considera que a Marinha portuguesa “terá sempre um papel importante e relevante” e sublinhou a “visão holística” deste ramo das Forças Armadas, ao desempenhar missões militares e de natureza civil.

“Não nos esqueçamos que nestas áreas, que são áreas protegidas, antes de tudo e na base de tudo está a posse do mar. Essa posse hoje está a ser discutida, está a ser discutida de forma violenta em certos casos”, advertiu.

O presidente do Governo Regional da Madeira e o chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional deslocam-se na sexta-feira às ilhas Selvagens, numa viagem que contará também com a presença da ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, e do enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos, Peter Thomson.

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