Miguel Maya enaltece importância da extensão das moratórias porque o país está endividado

“O pior que podia acontecer a Portugal, era a perda do rating da dívida da República. Nós sabemos que, neste trade-off entre apoios públicos ou não, temos de ter em consideração o elevado nível da dívida. Como é que isso se colmata? Com as moratórias”, defendeu o CEO do BCP.

Cristina Bernardo

O presidente executivo do Millennium bcp, Miguel Maya, enalteceu esta tarde a importância da extensão das moratórias até 30 de setembro de 2021 porque o país tem um elevado nível de dívida pública e, por isso, está condicionado a lançar apoios públicos para para as empresas.

Em declarações à comunicação social, à margem da V Cimeira do Turismo Português, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Miguel Maia que defendeu a extensão das moratórias “desde o primeiro momento”.

“É muito importante para a economia, enquanto não há um retomar da economia e as empresas não começarem a libertar cash flow, que haja capacidade de empresas que são viáveis conseguirem sobreviver a estas adversidades”, disse o CEO do BCP.

O CEO salientou ainda que é “nossa obrigação tentar encontrar todas as soluções possíveis para que essa capacidade não se perca”.

Manter a capacidade de dar resposta para que as empresas viáveis continuem a operar é “particularmente” importante num país endividado, como é Portugal, “em que a possibilidade de utilizar apoios públicos está condicionada pelo nível de dívida do país”, adiantou Miguel Maya.

As moratórias, defendeu o CEO, dão essa capacidade. “Mal passa a tormenta, começam a olhar outra vez para o nível de dívida com uma perspetiva diferente e, o pior que podia acontecer a Portugal, era a perda do rating da dívida da República. Nós sabemos que, neste trade-off entre apoios públicos ou não, temos de ter em consideração o elevado nível da dívida. Como é que isso se colmata? Com as moratórias”, vincou Miguel Maya.

Na semana passada, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, anunciou que o Executivo tinha aprovado, em Conselho de Ministros, a extensão das prestações bancárias relativas a empréstimos até 30 de setembro de 2021.

O presidente do banco concluiu referindo que não deve haver “vergonha” de Portugal utilizar “mecanismos mais generosos em matéria de moratórias”. “Naturalmente, têm de ser moratórias públicas ou setoriais para não criar situações que possa colocar esses clientes em NPE, mas o BCP tem vindo a defender e defende com muito agrado a extensão das moratórias”.

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