Montepio regista lucro de 20,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano

Lucro até setembro compara com prejuízos de 67,5 milhões de euros em igual período de 2016. O produto bancário core aumenta 15,0% atingindo 285,9 milhões, com a margem financeira a subir 13,3% e as comissões 19,3%. O aumento da margem financeira e das comissões ajudaram à melhoria do resultado líquido nos primeiros nove meses de 2017.

Cristina Bernardo

A Caixa Económica Montepio Geral lucrou 20,4 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, o que contrasta com um prejuízo de 67,5 milhões de euros registado em período idêntico de 2016.  “É o terceiro trimestre consecutivo em que a Caixa Económica tem resultados positivos”, realçou o presidente do Montepio.

Em comunicado divulgado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a instituição financeira explica a melhoria dos resultados com a “recuperação dos resultados da atividade comercial” e com a “melhoria da eficiência da estrutura operativa”, leia-se, margem financeira e comissões em alta, e custos em baixa.

A margem financeira subiu 13,3%, para 202,1 milhões de euros, enquanto  as comissões líquidas aumentaram 19,3%, para 83,9 milhões de euros, fazendo com que o produto bancário comercial (margem financeira + comissões líquidas) subisse 15%, para 285,9 milhões de euros. O aumento da margem financeira e das comissões ajudaram à melhoria do resultado líquido nos primeiros nove meses de 2017.

O produto bancário total subiu 54,4% para 380 milhões de euros, muito por causa da melhoria dos resultados de operações financeiras que subiram de 15,3 milhões em setembro do ano passado para 66,7 milhões de euros em setembro deste ano. Eventualmente o impacto positivo da subida do rating da República na carteira de dívida soberana portuguesa do banco pode explicar esta melhoria.

O Montepio explica que, “para este desempenho (melhoria dos resultados líquidos) contribuiu a redução dos custos de financiamento, nomeadamente do custo dos depósitos a prazo e da dívida emitida, que foi superior ao decréscimo dos juros e rendimentos das carteiras de crédito, num contexto da redução das taxas de juro de referência no mercado”.

Paralelamente, os custos operacionais foram reduzidos em 5,5%, para 206,8 milhões de euros. Para isto contribuiu a conclusão do processo de racionalização da plataforma operativa, que levou a uma uma melhoria da eficiência operacional, permitindo que o rácio Cost to Income se situasse em 54,4%. Os custos com o pessoal nos primeiros nove meses de 2017, excluindo os custos incorridos com o redimensionamento do quadro de colaboradores no montante de 32 milhões registados nos primeiros nove meses de 2016, observaram uma redução de 9,7 milhões (-7,1%) face ao período homólogo do ano anterior.

Em termos de qualidade da carteira de crédito, tido como uma das fragilidades do banco, o Montepio apresentou uma melhoria do custo do risco de crédito, medido pelas imparidades líquidas de recuperações de crédito anteriormente abatido ao activo. A instituição liderada por José Félix Morgado refere que o custo do risco de crédito reduziu-se em 0,24 pontos percentuais, para 0,95%, “em resultado da política de rigor na concessão de crédito”. O que compara com um custo do risco 1,19%, em dezembro. Ainda assim o Montepio compara mal com os seus pares neste indicador.

“O total de imparidades e provisões constituídas apresentou uma redução de 5,0%, situando-se em 141,2 milhões de euros”, acrescenta. Olhando em detalhe: As imparidade para crédito passam de 119,6 milhões em setembro de 2016 para 106,2 milhões em setembro de 2017. As imparidade para outros ativos financeiros descem fortemente de 31,8 milhões para 7,3 milhões de euros. Já as imparidade de outros ativos (onde deverão estar incluídos os imóveis) sobem de 13,2 milhões para 14,7 milhões de euros. Não foi divulgado o valor dos imóveis em carteira, nem as novas entradas e as vendas.

O Montepio assinala a redução de 50,3% das entradas de novos créditos em incumprimento, o que é explicado também pela melhoria do contexto económico. “Durante os primeiros nove meses de 2017, registou-se uma diminuição homóloga de 11,5% do número de novos créditos de retalho em incumprimento (NPL), traduzida numa variação negativa de 50,3% em termos de capital em dívida”, diz a instituição.

O rácio do crédito em incumprimento, segundo regras do Banco de Portugal, piorou, de 11,5% em dezembro para 11,9% em setembro. Já o mesmo rácio líquido de recuperações melhorou muito ligeiramente de 3,9% para 3,8%.

A cobertura do crédito vencido a mais de 90 dias é semelhante a dezembro (86% para 86,3%).

O rácio de crédito em risco é alto e mantém-se nos 15,2% porque embora o novo crédito em incumprimento tenha caído, como a carteira de crédito caiu (3,5%), o rácio manteve-se. A cobertura do crédito em risco chegou a 55,3%, acima dos 51,3% em dezembro. Mas a cobertura incluindo as garantias apresentadas pelos clientes devedores ultrapassa os 100%, é de 118,5%, mas inferior a dezembro altura em que era 120%.

O rácio de crédito reestruturado é de 8,8% do total da carteira, mas este já está refletido no rácio de crédito em risco, o que está fora pesa 3,2% do total do crédito.

Em termos de balanço no final do terceiro trimestre de 2017, o crédito a clientes (bruto) totalizou 14.610 milhões de euros, traduzindo um decréscimo de 3,5% face ao valor do período homólogo e de 2,9% face ao montante em 31 de dezembro de 2016. Isto “em resultado de uma exigente política de repricing e de gestão do risco na concessão de crédito, por um lado, e da redução do crédito às empresas e do crédito à habitação, por outro”.

Já do outro lado do balanço, nos depósitos de clientes, o banco registou uma quebra face a dezembro e face a setembro do ano anterior. Em dezembro tinha 12.468 milhões de euros e em setembro deste ano tinha 11.879 milhões de euros em depósitos. Abaixo de setembro de 2016 (12.197 milhões).

O banco que está em processo de mudança de estatutos, desde que é sociedade anónima, apresenta-se com um rácio de core capital (CET1) de 13%, na versão phasing-in, e com um rácio de capital total de 13,2%. Este reforço de capital incorpora os efeitos positivos do aumento de capital institucional em 250 milhões de euros, de geração orgânica de capital e da descida dos ativos ponderados pelo risco em 1.278 milhões para 11.965 milhões de euros.

Com referência a 30 de setembro de 2017, os rácios de capital da CEMG fully implemented também evoluíram favoravelmente, tendo o CET1 atingido 11,4% e o rácio de capital total 11,7% (não incluindo os efeitos positivos, estimados em +131 pontos base associados à adesão ao regime dos ativos por impostos diferidos), explica a instituição.

O rácio LCR atingiu 125,1%, 45,1 pontos percentuais acima do requisito mínimo regulamentar em vigor, situado em 80%.

José Félix Morgado não comenta “rumores”

“A nossa intenção é trabalhar com a Associação Mutualista”, disse José Félix Morgado, quando questionado sobre a comercialização de produtos do acionista. Sobre a mudança de marca, a separação que o Banco de Portugal quer entre a Caixa Económica e a Associação Mutualista, diz tem de ser feita com prudência.

“É uma marca enraizada, com um valor bastante relevante. É uma matéria que tem de ser tratada com muito cuidado”, disse o presidente do Montepio. “O plano está em curso. Vem sendo executado, pela diferença e pela denominação dos produtos da mutualista e da Caixa. É um plano e um processo que está em curso. É um plano para desenvolver até 2018”, explicou.

Recusou-se a falar da possível entrada da Santa Casa no capital do banco. Também sobre a possível alteração dos órgãos sociais, no decurso de uma mudança de modelo de governo, disse que não comenta “rumores” pois, “quem fala não faz, quem fala não sabe fazer. Nós fazemos e estão à vista os resultados”.

Atividade internacional

A atividade internacional do Grupo CEMG desenvolve-se em três jurisdições, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Em Angola, os resultados líquidos do Finibanco atingiram 9,7 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2017, aumentando 3,5% face aos 9,4 milhões de euros apurados em igual período de 2016.

Em Moçambique, o BTM apresentou um resultado líquido positivo, de 142 mil euros nos primeiros nove meses de 2017, que compara com um resultado líquido positivo de 144 mil euros no período homólogo de 2016.

Em Cabo Verde, o Banco MG Cabo Verde apresentou um  resultado líquido ligeiramente negativo de -32 mil euros até ao final do terceiro trimestre de 2017, que compara com um resultado líquido positivo de 49 mil euros no período homólogo de 2016.

(atualizada)

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