Pedrógão: Seis meses depois do incêndio, falta começar obras em 20 das 264 casas

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro espera que a totalidade das casas destruídas em Pedrógão Grande esteja reconstruída em meados de 2018.

A reconstrução das 264 casas de habitação permanente destruídas pelo incêndio que eclodiu em junho, em Pedrógão Grande, deverá estar concluída em meados de 2018, segundo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC). “Até final de 2017, a última casa estará em obra”, disse a presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, em entrevista à agência Lusa, admitindo “a probabilidade de que todas estejam reconstruídas” e sejam reocupadas pelos proprietários “em meados do próximo ano”.

Vincando que, após a tragédia de 17 de junho, “a grande prioridade” do Governo, através da CCDRC, em parceria com diferentes entidades públicas e privadas, foi entregar as empreitadas das casas que “exigiam total reconstrução”, Ana Abrunhosa sublinhou que, “entre esta semana e a próxima, entrará em obra a última habitação”.

Ao longo de meio ano de ação no terreno dos dirigentes e técnicos da CCDRC, que para o efeito recorreu também a empresas, em articulação com as autarquias, o trabalho para fazer avançar a reconstrução das habitações totalmente destruídas pelo fogo “foi o mais demorado” do processo. “Rapidamente, percebemos as vantagens de estarmos articulados”, recordou a presidente da Comissão, realçando a necessidade de “partilhar informação” num processo que envolve “várias entidades no terreno”.

No início, alguma falta de articulação entre as instituições “gerou um bocadinho de problemas” entre todos, reconheceu. Nos municípios atingidos pelo incêndio de 17 de junho, nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, a CCDRC foi encontrando “situações complexas” que foram ultrapassadas, “gerindo e partilhando informação”, o que acabou por “correr muito bem”, declarou.

Semanalmente, “as entidades partilham informação”, com a “preocupação de satisfazer as necessidades das famílias que estão fragilizadas”, enfatizou Ana Abrunhosa. De acordo com os levantamentos oficiais realizados, sujeitos a eventuais atualizações, das 264 habitações permanentes atingidas pelo fogo, 87 precisam de recuperação total e destas 59 no concelho de Pedrógão Grande, onde deflagrou o incêndio, junto à povoação de Escalos Fundeiros.

Pedrógão Grande é igualmente o concelho com mais residências afetadas em junho (155), seguido de Castanheira de Pera (68), Figueiró dos Vinhos (30), Sertã (4), Pampilhosa da Serra (3), Penela (3) e Góis (1).

Seis meses após a tragédia, em que morreram 66 pessoas e mais de 250 ficaram feridas, “falta iniciar obra em pouco mais de 20 casas” do território, revelou Ana Abrunhosa. As casas de segunda habitação beneficiam de uma linha de crédito bonificado, criada pela Caixa Geral de Depósitos, ou os donos podem ativar os seguros.

Quanto às empresas que concorreram a apoios públicos, estão aprovados 34 projetos, apoiados com mais de 12 milhões de euros, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), estando mais seis candidaturas a ser analisadas. Para os danos em empresas causados pelo incêndio de Pedrógão Grande, o Governo aprovou uma comparticipação de 85% a fundo perdido, com vista a salvar cerca de 300 postos de trabalho.

Na área da agricultura de subsistência, o apoio de 1.053 euros a cada família, através da Segurança Social, “resolveu 80% das situações”, tendo as empresas agrícolas podido recorrer ao Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020, concluiu a presidente da CCDRC.

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