Possibilidade de um Brexit sem acordo afeta riscos de insolvência

A Crédito y Caución calcula que o crescimento das insolvências no Reino Unido seja 14% mais elevado no caso de um Brexit sem acordo. Diz que ameaça para os serviços é ainda maior. E que em Portugal, o turismo pode enfrentar um “duro” impacto de um Brexit não negociado.

A menos de quatro meses para que o Reino Unido abandone a União Europeia (UE), ainda não está claro como será o Brexit. Com o aumento da incerteza sobre o processo de ratificação, a especialista em seguro de crédito Crédito y Caución fez as contas aos impactos económicos decorrentes de um Brexit não negociado: as insolvências no Reino Unido seriam 14% mais elevadas, o que se traduz em cerca de 2.300 empresas afetadas. As insolvências no setor manufatureiro, que representam 10% do PIB, e as exportações, seriam particularmente elevadas.

O mais recente relatório divulgado pela Crédito y Caución destaca que, embora ambas as partes tenham alcançado um princípio de acordo, a incerteza sobre o processo de ratificação aumentou significativamente, o que volta a colocar sobre a mesa a possibilidade de um Brexit não negociado com impacto económico “significativo para o Reino Unido e num grau muito mais moderado para a União Europeia”.

A curto prazo, sinaliza o relatório, o principal impacto económico viria da aplicação das tarifas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Cerca de 16% das exportações europeias de bens para o Reino Unido enfrentariam tarifas médias de 4,3%. Já no caso britânico, 48% das exportações diretas para a União Europeia e outros 16% para países com acordos em vigor com a UE estariam sujeitos a uma tarifa média de 5,7%.

“A ameaça para os serviços é ainda maior”, frisa a Crédito y Caución, acrescentando que sem uma harmonização regulamentar, as regras da OMC não impediriam a União Europeia de bloquear os serviços oferecidos pelas empresas britânicas e vice-versa.

Já sobre as insolvências no Reino Unido, o relatório concluiu que “ seriam 14% mais elevadas num cenário de Brexit sem acordo do que num cenário de transição suave, o que se traduz em cerca de 2.300 empresas afectadas”. E, diz, as insolvências no setor manufatureiro, que representam 10% do PIB e as exportações, seriam particularmente elevadas.

“Setores com cadeias de fornecimento altamente integradas, como a indústria automóvel, também poderiam assistir a uma concentração de insolvências”, conclui a  especialista em seguro de crédito, realçando ainda que as barreiras não tarifárias teriam sérias consequências para setores altamente regulados, como os setores de alimentos e bebidas e produtos químicos.

“O aumento das tarifas sobre as exportações de bens e serviços pesaria sobre os lucros das empresas, enquanto o aumento das tarifas sobre produtos importados aumentaria a inflação no mercado doméstico”, acrescenta o relatório. E exemplifica:” uma libra mais fraca alimentaria mais a inflação e não seria suficiente para compensar os custos comerciais mais altos”, realçando que “a inflação mais alta também restringiria os gastos dos consumidores numa época em que o desemprego começaria a subir levemente, o que provavelmente levaria a mais insolvências nos setores do comércio a retalho e da hotelaria”.

Portugal: Brexit com duro impacto no turismo

Para a União Europeia, as perspetivas de insolvência são “muito mais brandas”, considera a Crédito y Caución.

No caso de Portugal e de Espanha, o relatório destaca “o possível impacto de um Brexit duro no setor do turismo”. Para esta  especialista em seguro de crédito, a  desvalorização do euro deveria ajudar as economias pequenas e intensivas em exportações na zona do euro (como os casos da Irlanda, Holanda e Bélgica), a aumentar as suas exportações para o resto do mundo.  Já a Irlanda é o mercado da UE mais vulnerável a um Brexit não negociado.

A Crédito y Caución prevê um crescimento de 4% nas insolvências, concentradas no setor manufatureiro, onde 44% de seu valor agregado total é proveniente das exportações para o Reino Unido, seguidas do setor alimentar.

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