Presidente da Ryanair antecipa subida de preços nas ‘low-cost’

Michael O’Leary diz que o preço médio por bilhete deverá subir entre 10 a 20 euros nas viagens low-cost, que estão a tornar-se, segundo o mesmo, “demasiado baratas”.

CEO da Ryanair, Michael O’Leary | Foto de Cristina Bernardo

O preço das viagens na Ryanair deverá subir ao longo dos próximos cinco anos, confirma o presidente executivo da companhia áerea irlandesa, Michael O’Leary, numa entrevista dada ao Financial Times. O’Leary, que tem sido fonte frequente de críticas a companhias como a TAP, explica que o aumento será um fenómeno natural, porque os preços praticados até então estão “demasiado baratos”.

Segundo o responsável máximo da Ryanair, o atual panorama do pricing está a impossibilitar a Ryanair e outras companhias áereas low-cost de obter lucros, sobretudo num contexto em que os custos de operação continuam a aumentar.

O fenómeno que o executivo prevê para os próximos cinco anos tem já um precendente. Os preços dos bilhetes para voos da Ryanair começaram a aumentar este verão, após o levantamento da maioria das restrições de viagem criadas pela pandemia. “Tornou-se demasiado barato para o que é”, classifica O’Leary. “Parece-me absurdo sempre que voo para Stansted [Londres] , que a viagem de comobio até ao centro de Londres seja mais cara que o preço do voo”, explica.

“Não creio que as viagens sejam sustentáveis a médio-prazo com um custo médio de 40 euros, isso é demasiado barato”, reforça o CEO da Ryanair, não sem antes sublinhar que confia que as viagens low-cost continuarão a ser “muito baratas”, mesmo que custem entre 50 e 60 euros.

Os custos de operações para as companhias áereas tem aumentado em virtude do aumento do preço dos combustíveis e das taxas compensatórias de impacto ambiental. Pelo menos, são estes os motivos apontados por O’Leary para justificar a mudança de paradigma da Ryanair, que é tida como a companhia áerea mais barata da Europa.

O CEO é uma voz assídua nas críticas disparadas às companhias áereas nacionais, entre elas (e sobretudo) a TAP, acusando-as de açambarcar espaço nos aeroportos e de operar em condições injustas para com as low-cost.

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