Projeto de localização do aeroporto em Santarém “deve ser ponderado”, defende líder do PSD

Sobre o tema do futuro aeroporto, Montenegro considerou ainda que “há condições para um diálogo que possa conduzir a uma convergência de posições” entre Governo e PSD, apesar de só ter havido uma reunião pública com o primeiro-ministro.

Cristina Bernardo

O presidente do PSD admitiu que pode haver condições para “uma convergência de posições” com o Governo sobre o futuro aeroporto internacional, e defendeu que o projeto que prevê a localização em Santarém “deve, pelo menos, ser ponderado”.

Em entrevista ao programa “Hora da Verdade” da Rádio Renascença e do jornal Público, Luís Montenegro diz que “não há nenhuma decisão” sobre o tema e admitiu que só tomou conhecimento deste projeto de investidores privados que defende a localização da nova infraestrutura aeroportuária em Santarém depois da reunião que teve no final de julho com o primeiro-ministro, António Costa, sobre o tema.

“No âmbito das audições que promovemos no PSD, já ouvimos os dinamizadores técnicos desse projeto e não deixaremos de o ter em conta na nossa apreciação, é um projeto que deve, pelo menos, ser ponderado”, afirmou.

Sobre o tema do futuro aeroporto, Montenegro considerou ainda que “há condições para um diálogo que possa conduzir a uma convergência de posições” entre Governo e PSD, apesar de só ter havido uma reunião pública com o primeiro-ministro.

“Se não tivesse essa postura, teria dito que estava indisponível para conversar com o primeiro-ministro. Em bom rigor, quem tem de tomar decisões é o Governo, se as decisões do Governo tiverem convergência com o posicionamento do PSD, acho que isso é benéfico para o país”, defendeu.

O presidente do PSD considerou ainda que o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, tem potencial e capacidade para fazer parte de uma solução aeroportuária “mais fortalecida e conjugada” com os interesses da economia portuguesa.

“Mal seria se a nossa estratégia aeroportuária não contasse com todo o potencial que o aeroporto Francisco Sá Carneiro já tem hoje”, reforçou.

Em matéria de pensões, e depois de ter anunciado que o PSD irá pedir a apreciação parlamentar do decreto-lei do Governo que prevê o pagamento de meia pensão extraordinária em outubro (numa antecipação de parte dos aumentos que deveriam ser pagos em janeiro, segundo a atual lei), Montenegro diz ter disponibilidade para ajudar o Governo a construir uma outra solução.

“Não me causa nenhuma espécie que possam fazer no âmbito das pensões o que foi a opção do Governo para as pessoas que estão na vida ativa”, disse, referindo-se ao pagamento único de 125 euros em outubro para todos os cidadãos que ganhem menos de 2.700 euros brutos por mês.

Apesar de a solução do PSD passar por um apoio de 40 euros mensais até final do ano (160 euros no total) para as pensões mais baixas, o presidente do PSD diz admitir que possa ser feito um pagamento único.

“Não me coloco de fora de adaptar a nossa proposta ao racional de todo o decreto, não queremos alterar o decreto de A a Z”, afirmou.

O PSD tem criticado a proposta do Governo de apoio aos pensionistas, argumentando que cria uma ilusão e “dá zero” de rendimento adicional face ao previsto na lei, limitando-se a antecipar metade do aumento previsto, e alertando que terá como consequência aumentos menores nas pensões a partir de 2024.

Na mesma entrevista ao Público e à Renascença, num excerto divulgado na quarta-feira, Luís Montenegro acusou o Governo e o PS de fazerem “um corte de mil milhões de euros no sistema de pensões em Portugal”, o custo previsto do pagamento da meia pensão adicional em outubro.

O líder do PSD manifestou menos disponibilidade para discutir com o PS a atual legislação sobre Segurança Social, a não ser que os socialistas digam “preto no branco, sem tibiezas, que estão disponíveis para fazer essa reforma”.

“Não vamos alimentar a estratégia de o PS tentar que seja o PSD a apresentar soluções quando tem a responsabilidade de governar”, disse.

Na mesma linha, avisou que os sociais-democratas não aceitarão a proposta do PS em cima da mesa de alteração do modelo dos atuais debates com o Governo, recusando “a limitação do diálogo com o primeiro-ministro”.

“O PS quer monólogos e não debates, quer que cada partido fale uma só vez e que o primeiro-ministro fale também de uma só vez. É um modelo que não é aceitável para o PSD”, salientou.

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