PSD quer análise “séria e robusta” sobre efeito do mecanismo ibérico

Para o PSD o mecanismo-travão dos preços é “totalmente opaco” e “complexo”, e como tal os sociais democratas exigem “saber a verdade, e principalmente, quanto vamos pagar” nos custos da energia elétrica.

O Partido Social Democrata (PSD) quer que a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) divulgue uma análise “séria”, “robusta” e “transparente” sobre o “verdadeiro efeito” que o mecanismo ibérico terá sobre a fatura da eletricidade junto de “todos os consumidores”.

As declarações foram proferidas pelo vice-Presidente do PSD, Miguel Pinto Luz, em terça-feira. Na mesma ocasião o social-democrata criticou a intromissão do Governo no mercado e entende que é dever do regulador “defender quem realmente necessita, os consumidores”.

Para o PSD o mecanismo-travão dos preços é “totalmente opaco” e “complexo”, e como tal Miguel Pinto Luz exige “saber a verdade, e principalmente, quanto vamos pagar” nos custos da energia elétrica.

O vice-Presidente social-democrata responsabiliza o Governo, que opta por “navegar à vista” e escrever “muitos ‘tweets’”, em vez de aprovar “soluções para os problemas da energia” para os consumidores domésticos e industriais.  “É um despacho dirigido a uma empresa, e não a quem deveria ser dirigido, aos portugueses”, completou.

Miguel Pinto Luz reafirmou ainda a necessidade de o Executivo avançar com “um programa de emergência social”, que inclua “uma diminuição clara” dos impostos com a energia, para “minorar” o impacto dos preços.

As declarações do PSD sucedem a entrevista do presidente da Endesa, Nuno Ribeiro da Silva, ao Jornal de Negócios, onde admitiu um aumento de 40% na fatura da eletricidade. “Em particular, a partir do final de agosto, mas já nas faturas do consumo elétrico de julho, as pessoas vão ter uma desagradável surpresa. (…) Estamos a falar de qualquer coisa na ordem dos 40 ou mais por cento relativamente àquilo que as pessoas pagavam”, explicou.

Depois foi a vez do executivo de Costa agir. Numa nota enviada às redações, o gabinete do primeiro-ministro informou que António Costa ontem assinou um despacho com duas ordens. A primeira diz que “os serviços da administração direta e da administração indireta do Estado não podem proceder ao pagamento de quaisquer faturas emitidas pela ENDESA, independentemente do seu valor, sem validação prévia, por despacho do Secretário de Estado do Ambiente e da Energia”. A segunda diz que “os referidos serviços públicos e a ESPAP devem proceder cautelarmente a consultas de mercado, para a eventual necessidade de contratação de novos prestadores de serviço”.

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