PSI sobe 8,5% desde o início do ano

Apesar da subida anual, em junho registou uma queda de 3,4%, com apenas cinco das 15 sociedades cotadas que integram o PSI a registarem uma evolução positiva, sendo que a banda de variação mensal oscila entre a subida de 8,8% da Jerónimo Martins e a queda de 16,7% dos CTT. A Maxyield destaca a forte capacidade de resiliência do PSI face às quebras mensal e anual dos mercados internacionais.

Apesar de contágio da quebra mensal dos mercados internacionais, o PSI aguentou-se melhor em junho e tem uma queda menos intensa que as outras praças europeias. Já o desempenho mensal e o anual do Ibex 35 deixam Madrid mais longe de Lisboa no que ao mercado de ações diz respeito. Os dados foram divulgados pela Maxyield.

O crescimento anual do PSI foi suportado pelo bom desempenho dos meses de março e maio, avança a associação de pequenos acionistas.

O PSI fecha o mês de junho com um valor de 6.044,6 pontos, o que representa uma diminuição mensal de -3,4% “num contexto anual de forte resiliência e volatilidade do índice de referência bolsista do país”.

Em junho, apenas cinco das 15 sociedades cotadas que integram o PSI, tiveram uma evolução positiva, sendo que a banda de variação mensal oscila entre a subida de 8,8% da Jerónimo Martins e a queda de 16,7% dos CTT.

Nas subidas destaca-se depois Sonae SGPS (5,9%), a Altri (5,1%), a Corticeira Amorim (0,6%), e a Greenvolt (0,5%).

No que se refere às dez sociedades com quebras mensais, e depois dos CTT surge a Semapa (-15%), o BCP (-14%), a Mota-Engil (-10%), a Galp (-8,8%), a Navigator (-7,8%), a EDP (-4,7%), a NOS (-3,1%), a EDP Renováveis (-1,4%) e a REN (-0,3%).

Se olharmos para a variação face ao fim do ano passado, verifica-se que o PSI teve um crescimento no acumulado do ano 8,5%, com 11 cotadas em trajetória positiva e quadro em perda de valor.

A banda de evolução é aqui bastante ampla, oscilando entre a subida de 31,3% da Galp e a queda de 31,5% dos CTT.

As sociedades com variação anual positiva foram, depois da Galp e por esta ordem, o BCP (17,1%), a Sonae SGPS (16,7%), a Greenvolt (15,7%), a Semapa (14,9%), a Navigator (14,5%), a Altri (13,5%), a REN (13%), a NOS (12,5%), a Jerónimo Martins (3,2%) e a EDP Renováveis (2,8%).

Com desempenho anual negativo encontram-se também a EDP (-7,9%), a Corticeira Amorim (-6,4%) e a Mota-Engil (-3,8%).

No mês de junho terminou a dividend season com a conclusão do pagamento de dividendos pelas sociedades do universo empresarial PSI.

Paralelamente, está em curso o recurso ao pay-back pelos CTT e Galp, iniciando-se esta prática de distribuição de dividendos, com observância das decisões das respectivas Assembleias Gerais.

Nesta oportunidade, recordamos que é expectável a distribuição intercalar de dividendos relativos ao exercício de 2022 pela Galp e Navigator, respetivamente no final dos 3º e 4º trimestres do ano em curso.

No mês de julho inicia-se a earning season, com a apresentação dos resultados do 2º trimestre de 2022 em conformidade com o calendário societário que se indica. Verifica-se que 80% das sociedades deste universo vão apresentar os seus resultados na última semana do mês de julho.

S&P 500 em bear market e Stoxx 600 a caminho

Olhando para os mercados internacionais, a Maxyield destaca que o índice S&P 500, composto pelas maiores 500 sociedades cotadas na NYSE, atingiu em 4 de janeiro o valor máximo de sempre, e apresenta uma diminuição anual acumulada de -20,6% apresentando-se no final de junho na situação de bear market (quebra acumulada superior a 20% relativamente ao último máximo).

Já o índice tecnológico americano Nasdaq entrou em bear market no mês de abril. “O comportamento do mercado americano levanta sérias preocupações, devido à quebra em cadeia de -1,4% do PIB dos EUA no 1º trimestre deste ano, aos aumentos da taxa de juro e à decepcionante earning season com particular incidência no segmento tecnológico FAANG (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google) que representa mais de 20% do S&P500″, revelam os analistas da Maxyield.

Na Europa, o índice Stoxx 600 que agrega as 600 maiores sociedades cotadas europeias, e que atingiu em 5 de janeiro o valor máximo histórico, sofreu em junho uma diminuição de -8,1% e atingiu uma baixa anual acumulada de -16,6%, encontrando-se na antecâmara de bear market.

“A evolução do S&P 500 e STOXX 600 é em sentido idêntico e com intensidade similar, sendo que estes índices, que iniciaram o ano numa trajetória crescente, apresentam uma quebra acumulada anual significativa”, realça a Maxyield.

As bolsas dos diversos países europeus apresentam uma evolução bastante diferenciada, sendo que os índices alemão DAX30 (que entrou no final de junho em bear market) e o francês CAC40 são aqueles que sofreram uma quebra mais acentuada.

É de referir que o índice espanhol IBEX 35 e o londrino FTSE 100, ainda não atingiram os valores anteriores ao crash de 2020.

O mercado espanhol (IBEX 35) com uma quebra mensal de -8,5% e uma diminuição anual de -7,1%, continua cada vez mais afastado da praça de Lisboa. A Maxyield acompanha a evolução mensal de 11 importantes sociedades do IBEX 35, sendo de referir que todas apresentam uma variação negativa das suas cotações no mês de junho.

Em termos anuais, é de salientar o forte contributo positivo para o IBEX 35 da Repsol, da Telefónica, da Caixa Bank e da Enagás. No pólo oposto encontra-se a Merlin, o Santander, o BBVA e a Mapfre com variações negativas.

Mantém-se a existência de alguns títulos, cotados a nível inferior ao final de 2019, designadamente Santander, Telefónica,  Mapfre, Endesa, Enagás e Merlin, diz o clube de pequenos acionistas.

No que toca aos índices asiáticos, estes apresentam igualmente uma redução anual, mas tendencialmente inferior à Europa Ocidental e aos EUA.

Com quebras no intervalo [6% a 7%] encontram-se a China e o Japão, sendo que o mercado da Coreia do Sul apresenta uma redução acentuada em torno de 22%.

Para o futuro a Maxyield antevê que o mercado de capitais, vai ser marcado pelas pressões inflacionistas, aumento das taxas de juro e arrefecimento económico.

O aumento das taxas de juro nos EUA, no Reino Unido e nas yield das dívidas soberanas, vai estender-se ao BCE no mês de julho, sendo que a evolução da Euribor e das yield foram uma antecipação a este movimento.

“Este aumento das taxas diretoras do BCE em julho, após agravamento para 8,6% da inflação no mês de junho, com um gap temporal significativo relativamente ao Banco Central de Inglaterra e ao Fed, poderá atrasar a recuperação das bolsas europeias”, defendem os analistas da Maxyield,

Paralelamente, a redução dos balanços através da diminuição das compras líquidas de ativos designadamente títulos de dívida soberana deverá ter o seu início no limiar do 2º semestre deste ano, sendo que a nível da zona euros vai ser temperado por um focus anti-fragmentação.

“Merece uma referência especial a evolução das taxas de juro reais (corrigidas da inflação) num contexto inflacionista, que poderá determinar uma evolução das taxas nominais com forte amplitude”, diz a associação que acrescenta que a “questão central, é saber se na atual conjuntura se é possível travar a inflação, sem provocar uma recessão na economia americana e europeia”.

“Por outro lado, a atual crise não se localiza apenas do lado da procura, pois incorpora importantes questões do âmbito da oferta, relativamente à qual as tradicionais políticas de intervenção necessitam dum horizonte temporal mais alargado para produzir efeitos.  É por esta razão que o termo stagflation vem ganhando novamente o estatuto de cidadania”, lê-se na nota do clube que atingiu os 92 membros no final do mês de junho.

A Maxyield defende no entanto que “estes perigos não existem em Portugal para 2022, pois a economia deverá apresentar um crescimento robusto, cujas estimativas da Comissão Europeia, do FMI e do Banco de Portugal são de 5,8%, devido ao impulso do consumo privado apoiado pela normalização taxa de poupança das famílias, à alavancagem do investimento pelo PRR e à recuperação do turismo para o nível pré-pandemia”.

Mas, em 2023 Portugal regressa a uma baixa trajetória de crescimento, sendo que a inflação, os preços da energia, as disfunções na cadeia de abastecimentos, o aumento das taxas de juro e a bolha imobiliária, são riscos que não podem ser subvalorizados.

Os índices bolsistas já incorporam alguns efeitos macroeconómicos deste Outlook, cujo movimento poderá representar uma antecipação da recessão da economia.

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