Rácio de crédito malparado na banca melhora para 3,4% no segundo trimestre

A queda “reflete a diminuição dos NPL (-4,0%) e o aumento dos empréstimos produtivos (+1,8%)”, explica o supervisor da banca. A rentabilidade também melhorou.

Dados publicados nesta quinta-feira pelo Banco de Portugal revelam que o rácio bruto de empréstimos não produtivos (NPL, Non-Performing Loans) diminuiu de 3,6% no final de março para 3,4% em junho.

“No 2.º trimestre de 2022, o rácio de empréstimos não produtivos bruto (NPL) diminuiu 0,2 pontos percentuais (pp), para 3,4%, refletindo a diminuição dos NPL (-4,0%) e o aumento dos empréstimos produtivos (+1,8%)”, refere o supervisor da banca.

O rácio de NPL líquido de imparidades situou-se em 1,6% (-0,1 pp) e os rácios de NPL bruto das empresas e particulares diminuíram 0,4 pp e 0,1 pp, para 7,6% e 2,6%, respetivamente.

A diminuição dos NPL teve um contributo superior ao aumento dos empréstimos produtivos na redução de ambos os rácios, revela o supervisor.

Por outro lado, o rácio de cobertura dos NPL por imparidades diminuiu 0,8 pp, para 52,6%, refletindo uma diminuição das imparidades acumuladas superior à dos NPL. Nas empresas não financeiras registou-se uma diminuição do rácio de cobertura de 0,9 pp, para 53,1%. Nos particulares, o rácio de cobertura cifrou-se em 51,9% (-0,7 pp), diminuindo para 64,0% (-1,8 pp) no segmento de consumo e outros fins, mas aumentando para 34,6% (+0,5 pp) no de habitação.

O rácio de empréstimos em stage 2 [exposições para as quais se observa uma degradação significativa do nível de risco de crédito desde o reconhecimento inicial] cifrou-se em 10,5% (-0,7 pp), diminuindo 1,7 pp e 0,1 pp, para 16,4% e 8,1%, segmentos de empresas e particulares, respetivamente.

O custo do risco de crédito diminuiu 0,17 pp face ao período homólogo, para 0,17%, revelou ainda o BdP.

ROE e ROA melhoram no primeiro semestre
No 1.º semestre de 2022, a rendibilidade do ativo (ROA) e a rendibilidade do capital próprio (ROE) aumentaram face ao 1.º semestre de 2021, situando-se em 0,71% (+0,26 pp) e 8,8% (+3,7 pp), respetivamente. A evoluçãodo ROA refletiu a diminuição das provisões e imparidades (contributo de +0,27 pp) e, em menor grau, o aumento da margem financeira (contributo de +0,15 pp).

No que toca à eficiência, o rácio cost-to-income diminuiu 1,6 pp face ao período homólogo, situando-se em 51,6%, refletindo um aumento do produto bancário (contributo de -4,0 pp) que superou o dos custos operacionais (contributo de +2,4 pp).

Já na solvabilidade, verifica-se que no 2.º trimestre de 2022, os rácios de fundos próprios totais e de fundos próprios principais de nível 1 (CET 1) estabilizaram em 17,5% e 15,0%, respetivamente. “Em ambos os casos, o ligeiro aumento dos fundos próprios compensou o aumento do montante total das exposições em risco”, diz o supervisor da banca que acrescenta que o ponderador médio de risco diminuiu 0,5 pp, para 43,0%, em resultado do aumento da importância relativa das componentes de menor risco.

“O rácio de alavancagem diminuiu 0,1 pp face ao trimestre anterior, para 6,6%”, adianta o BdP.

Em termos de estrutura de balanço, no 2.º trimestre de 2022, o ativo total aumentou 1,7%. Os empréstimos a clientes e as disponibilidades em bancos centrais contribuíram para este aumento em 0,68 pp e 0,63 pp, respetivamente.

Na liquidez, o rácio de transformação de depósitos em crédito diminuiu 0,9 pp, para 79,2%, em resultado de um aumento de 2,3% dos depósitos de clientes, atenuado pelo aumento dos empréstimos a clientes de 1,2%.

O peso do financiamento obtido junto de bancos centrais diminuiu 0,3 pp, para 8,9% do ativo.

O rácio de cobertura de liquidez (LCR) situou-se em 262%, estabilizando face a março de 2022. O aumento dos ativos de elevada liquidez foi compensado pelo aumento das saídas de liquidez.

A queda “reflete a diminuição dos NPL (-4,0%) e o aumento dos empréstimos produtivos (+1,8%)”, explica o supervisor.

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