Refinaria de Matosinhos. Esquerda e sindicatos já reagiram e pedem responsabilidade ao Estado

A decisão da petrolífera de suspender a sua atividade na refinaria de Matosinhos gerou uma onda de críticas à esquerda, com o Bloco a pedir mesmo uma audição urgente do ministro do Ambiente. O Estado congratula-se com o movimento no sentido da uma transição energética mais forte, mas garante que está a trabalhar para garantir que o impacto da medidas junto dos trabalhadores é diminuído.

A decisão da Galp de encerrar a atividade de refinação nas suas instalações em Matosinhos gerou reações de vários atores políticos nacionais, a maioria numa manifestação de preocupação pela situação dos trabalhadores da petrolífera, que deu a conhecer esta medida na passada segunda-feira.

O Governo reagiu no próprio dia, em comunicado, dizendo-se pronto para encontrar soluções com a empresa junto da mesma e com a participação das estruturas sindicais a ela associadas. Através do ministério do Ambiente, o executivo lembra que o Fundo para a Transição Justa foi aprovado este ano precisamente para abordar questões destas e de forma a garantir que os trabalhadores não pagam a fatura dos processos de transição energética.

“No âmbito do Plano para a Transição Justa, que se encontra em elaboração, o Governo decidiu, assim, propor a elegibilidade a estes apoios da região onde se encontra a refinaria de Leça da Palmeira. Com este Fundo, com uma verba estimada de 200 milhões de euros para Portugal, será possível proteger os trabalhadores afetados e financiar novos negócios que apoiarão a transição para uma economia neutra em carbono, como os associados à energia renovável, à eficiência energética e à economia circular”, lê-se no comunicado do ministério tutelado por Matos Fernandes.

Quem também não demorou a expressar a sua preocupação e censura à decisão foi Catarina Martins. A líder do Bloco recordou que a Galp “distribui milhões de euros aos seus acionistas e está a despedir trabalhadores”, algo que para o partido é inaceitável.

Além disso, a coordenadora bloquista acusa o Estado de se desresponsabilizar de uma decisão numa empresa na qual poderia ter algo a dizer, visto ser um dos acionistas da petrolífera. Recorde-se que 7,48% da Galp é detido pelo Estado português através da Parpública.

A candidata presidencial do partido, Marisa Matias, apelidou a decisão de “escandalosa”. Além do impacto que terá nos trabalhadores, a ainda eurodeputada pelo BE recusa a justificação da decisão com preocupações ambientais, sublinhando que o decréscimo de produção em Matosinhos será compensado com importações, pelo que fica “tudo na mesma em emissões de CO2”, como se lê numa publicação na sua conta de Facebook.

O Bloco pediu ainda uma audição com caráter de urgência do ministro Matos Fernandes no Parlamento, criticando “uma decisão com enorme alcance para a economia nacional e a região Norte do país” e falando em ausência de “responsabilidade pública”.

Já o PCP fala numa medida “particularmente grave, com consequências no plano da soberania energética, do tecido industrial, do equilíbrio territorial, do desenvolvimento económico e do emprego”.

Em comunicado, os comunistas dizem que “o país não pode aceitar” aquilo a que chama de “um grave atentado aos interesses nacionais”, argumentando que mais uma vez se verifica “a submissão às imposições da União Europeia” por parte do Governo.

A Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal), uma estrutura sindical ligada aos trabalhadores da refinaria, avisou que são “1.500 postos de trabalho que estão em risco: 500 diretos, mais mil indiretos”.

Em declarações ao Jornal Económico na segunda-feira, Hélder Guerreiro, dirigente desta federação, criticou também a aprovação desta medida por parte dos acionistas, a quem foi pago um dividendo de 70 cêntimos por ação relativo ao ano de 2019, e exigiu que o Governo tome uma posição sobre o assunto, lembrando que é um dos acionistas envolvidos na empresa.

Recomendadas

Alemanha reitera apoio a gasoduto nos Pirinéus e diz que França não excluiu projeto

O chanceler alemão destacou que este projeto tem uma perspetiva de longo prazo e que, para além do transporte de gás no imediato, servirá para fornecer outras energias, como hidrogénio, no futuro.

“Nova atitude da TAP perante os gastos terá de abranger também os pilotos”, desafia SPAC

Sindicato dos Pilotos diz que “enquanto uns têm cortes brutais no seus vencimentos” e ainda há “processos de despedimento em curso”, renova-se o parque automóvel dos cargos de direção “com 79 viaturas”.

TAP diz que renovação da frota automóvel permite poupar anualmente 630 mil euros

A TAP diz que a opção de comprar 50 BMWs representa uma poupança superior a 20% do valor mensal da renda e tributação, relativamente a novos contratos de renting e está em linha com o plano de reestruturação.
Comentários