Respostas rápidas: Como vai evoluir o Brexit em 2018?

Após meses de impasse, a UE e o Reino Unido chegaram finalmente a um acordo que permite ao Conselho Europeu declarar a existência de um “progresso suficiente” que justifica avançar para as negociações de foro comercial.

O anúncio de um “progresso suficiente” afasta grande parte da incerteza que pairava entre os mercados e sobre a economia do Reino Unido, mas ainda há uma série de grandes questões que se aproximam com a chegada do novo ano, alertam os analistas da ING.

A transição é já um dado adquirido?

Quase. Com o Conselho Europeu a assumir que foram feitos “progressos suficientes”, estarão reunidas as condições para ser feito um acordo bastante rápido, num período de transição de dois ou três anos, após março de 2019. Há um consenso crescente de que as empresas precisam de confirmação até março de 2018, de forma a decidir se terão, ou não, de avançar com planos de contingência para evitar uma queda abrupta dos seus negócios. De qualquer forma, o acordo será sempre positivo para a economia do Reino Unido, pois ajudará a desbloquear pelo menos alguns investimentos de curto e médio prazo.

Um período de transição de dois ou três anos será suficientemente longo?

Um dos grandes receios dos apoiantes do Brexit é que o período de transição possa levar a um período indefinido, no qual o Reino Unido não está nem dentro, nem fora, da UE. A transição prolongada pode ainda afetar as próximas eleições, programadas para 2022, dando lugar a pressões daqueles que não apoiam a saída do Reino Unido da UE.

Haverá um acordo?

Dado o volume de comércio realizado entre o Reino Unido e a UE, as cadeias de abastecimento afetadas, os milhões de empregos e as receitas fiscais, um acordo faz sentido para ambos os lados. A posição do Reino Unido já suavizou o projeto de lei de “divórcio” e a UE também reconhece a importância de obter um acordo positivo para ambos os lados, reconhecendo a necessidade de um período de transição. No entanto, as discussões comerciais reais serão difíceis e prolongadas.

A liderança de Theresa May vai aguentar a pressão?

Desde as eleições em junho que a posição de Theresa May ficou enfraquecida e desde então que se levantam dúvidas sobre quanto tempo pode permanecer no cargo, especialmente porque as sondagens de opinião sugerem que a população está insatisfeita com a gestão do dossier Brexit. Assim, apesar de alguns pontos positivos, como o já referido “progresso suficiente”, May continuará vulnerável e enfrentará um novo desafio de liderança em 2018 que não pode ser desvalorizado, sobretudo se as negociações falharem.

 

 

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