São Tomé. Próximo Governo enfrenta economia a abrandar e inflação a disparar

São Tomé e Príncipe manteve a estabilidade macroeconómica, apesar de muitos desafios; devido, em grande medida, a choques exógenos, o crescimento diminuiu e a inflação aumentou em 2021″, escrevia o Fundo Monetário Internacional (FMI) na última avaliação anual à economia de São Tomé, em março.

O próximo Governo de São Tomé e Príncipe vai liderar um país em crescimento económico no seguimento do abrandamento pandémico, mas herda também um país enfraquecido pelos choques externos que afetam as economias mais vulneráveis.

São Tomé e Príncipe manteve a estabilidade macroeconómica, apesar de muitos desafios; devido, em grande medida, a choques exógenos, o crescimento diminuiu e a inflação aumentou em 2021″, escrevia o Fundo Monetário Internacional (FMI) na última avaliação anual à economia de São Tomé, em março.

Desde então, o mundo mudou, principalmente devido ao impacto da invasão da Ucrânia pela Rússia, que teve como consequências principais o aumento dos preços dos cereais e da energia, duas matérias-primas de que São Tomé, como a generalidade dos países africanos, é um importador líquido.

Ainda assim, “as perspetivas económicas mantêm-se favoráveis, com o crescimento a dever aumentar para 2,3% em 2022 e 2,8% em 2023”, considerava, em março, o FMI, mas desde então a previsão desceu para uma expansão de 1,6% este ano, mantendo-se a estimativa de 2,8% para o próximo ano.

A subida dos preços para os consumidores é, no entanto, a grande preocupação para os cidadãos: o FMI prevê que os preços subam de 8,1%, no ano passado, para 14,5%, antes de abrandar para 9,2% no próximo ano, valores que não se registavam desde meados da década passada.

“As repercussões internas do aumento dos preços internacionais dos combustíveis poderão dificultar a recuperação, agravar os cortes de energia e a inflação e afetar negativamente as receitas e os subsídios implícitos”, alertou o Fundo, que tem em curso, desde o final de 2019, um programa de assistência económica no valor de 18,1 milhões de dólares, sensivelmente o mesmo em euros.

As várias crises que o arquipélago enfrenta fazem com que São Tomé e Príncipe dificilmente quebre o ciclo de dependência externa, com os doadores externos, como o Japão, Nigéria ou Portugal a terem de ajudar financeiramente o país a organizar a realização das eleições legislativas e autárquicas, marcadas para 25 de setembro.

“Ousamos dizer que desde a institucionalização do banco central até à presente data, a conjuntura internacional nunca esteve tão desfavorável e tão adversa aos propósitos da economia são-tomense como se tem mostrado nos últimos três anos”, admitiu Américo Barros no final de agosto, quando se assinalaram os 30 anos do banco central.

“Estima-se que a taxa do crescimento económico volte a abrandar e situar-se em 1,4 % em 2022 e que o risco de uma inflação alta a dois dígitos seja uma realidade inevitável até ao final do ano”, sublinhou o governador na cerimónia, na qual participaram as principais figuras do país, a começar pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, e continuando até aos representantes dos parceiros internacionais, essenciais para equilibrar o Orçamento.

O impacto negativo da pandemia de covid-19 e da guerra na Ucrânia na economia nacional incide com maior acuidade na instabilidade de preços, na fraca entrada de recursos financeiros externos, na redução dos níveis das Reservas Internacionais Líquidas e no aumento de inflação”, sintetizou Américo Barros.

A degradação das condições de vida e o impacto do aumento dos preços na vida quotidiana é um dos temas que trespassa a sociedade civil, com o chefe de Estado a reconhecer um “aumento exponencial do custo de vida” para os são-tomenses.

“O agravamento das alterações climáticas, associadas aos elevados preços dos combustíveis nos mercados internacionais e a apreciação do dólar face ao euro têm colocado pressão para a cobertura cambial das importações, com consequências diretas nos aumentos de preços dos principais produtos alimentares, sobretudo os que fazem parte da cesta básica das famílias são-tomenses”, disse o Presidente da República no final de agosto, concluindo: “É hoje uma realidade o aumento exponencial do custo de vida para a família são-tomense”.

No total, dez partidos e uma coligação concorrem as eleições legislativas de São Tomé e Príncipe: Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe / Partido Social Democrata (MLSTP/PSD); Ação Democrática Independente (ADI); Basta; Movimento Democrático Força da Mudança/União Liberal (MDFM/UL); União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD); CID-STP, Movimento União para o Desenvolvimento Amplo (Muda); Partido Novo; Movimento Social Democrata/Partido Verde de São Tomé e Príncipe (MSD-PVSTP); Partido de Todos os Santomenses (PTOS) e a coligação Movimento de Cidadãos Independentes/Partido Socialista/Partido da Unidade Nacional.

Em disputa está a eleição de 55 deputados à Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, incluindo dois que pela primeira vez serão eleitos pelos círculos eleitorais da Europa e de África.

A ADI foi o partido mais votado nas eleições de 2018, elegendo 25 deputados, seguida pelo MLSTP/PSD, que conseguiu 23 assentos.

A coligação então formada pelo Partido da Convergência Democrática (PCD, segundo maior partido da oposição), pela UDD e pelo MDFM, foi a terceira formação mais votada, obtendo cinco mandatos. O Movimento de Cidadãos Independentes de São Tomé e Príncipe/Partido Socialista (MCI/PS) ocuparam dois lugares no parlamento.

MLSTP e a coligação PCD-UDD-MDFM formaram a chamada ‘nova maioria’ e constituíram governo, liderado por Jorge Bom Jesus.

No dia 25, também o governo regional do Príncipe vai a votos, concorrendo dois a União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), liderado pelo atual presidente, Filipe Nascimento, e a coligação Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP) e MLSTP/PSD, encabeçada por Nestor Umbelina.

Os 123.302 eleitores são-tomenses são ainda chamados a escolher os presidentes das autarquias.

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