Seca: uma anomalia “prevenível”?

Há, claramente, medidas preventivas que não podem ser descuradas para a mitigação das secas em qualquer região, quer seja por modificação ou intensificação de políticas estratégicas ou pela implementação de novas medidas que assegurem a correta gestão dos nossos recursos hídricos e a sua monitorização respetiva.

Portugal, dizem os especialistas, está em seca meteorológica desde o fim do ano anterior, tendo-se agravado em janeiro e com uma grande parte do país em situação de seca moderada a severa. E a “culpa” remete-se no imediato, e invariavelmente, para a condição geográfica continental, tantas vezes sujeita às influências do posicionamento do anticiclone do Atlântico Norte. E se estas situações (de seca) nos têm assolado frequente e regularmente nas últimas décadas, a verdade é que, a cada “escalada”, as consequências económicas para a agricultura e pecuária (com redução progressiva das culturas e produção), para a indústria hidroelétrica e para o bem-estar social são alarmantes, e assustadoras.

Por estes dias, têm sido evidentes quer a precipitação muito inferior ao que seria normal quer as temperaturas (sobretudo as máximas) acima do que seria normal para esta estação. Os resultados da estiagem estão à vista um pouco por todo o país: baixa humidade dos solos e “evapotranspiração” hídrica, e nem mesmo a precipitação que ocorreu recentemente em alguns pontos do país foi capaz de nos tranquilizar. E se é facto que a seca tem ocorrido e atingido sobretudo o território continental do país, a verdade é que as regiões insulares não estão protegidas dos seus efeitos – a sua implicação na segurança alimentar atinge-nos a todos, sem exceção, seres humanos, animais e ecossistemas.

Que fazer então face à diminuição da eficiência produtiva de um país/região? Empreender medidas de mitigação dos seus efeitos será o mais urgente, nomeadamente pela recomendação do uso sustentável da água e dos solos. E esperemos que, entretanto, as condições climatéricas se revertam, caso contrário será urgente definir políticas públicas e estratégias de trabalho para assistir aos vários sectores socioeconómicos lesados, de forma a minimizar os efeitos negativos deste tipo de ocorrência.

E pode-se “prevenir” a seca? Esta, sendo um fenómeno natural, e, portanto, essencialmente climático, dificilmente é prevenível ou mesmo combatível, e o mais certo é que este tipo de fenómeno se tenda a agravar, de acordo com peritos nesta matéria. Nem mesmo com o vasto e sofisticado equipamento ao serviço da meteorologia, não há garantias absolutas de previsão para um intervalo futuro de 12 semanas. Mas, sendo as secas cíclicas, é possível antevê-las de alguma forma (mesmo sem precisão) e preparar as governações e populações para lhes fazer frente de modo a “conviver” com as mesmas da forma mais racional, e sustentável, possível, “sem fome nem sede”. Ou seja, promovendo o armazenamento antecipado de água para consumo humano e animal; a produção e cultura de plantas mais tolerantes e menos exigentes com os solos; e a defesa das reservas estratégicas de abastecimento público.

E à semelhança de outros fenómenos naturais de cariz catastrófico, a expressão de uma seca numa região também se correlaciona com o ordenamento do território (e nesta matéria são crassos e flagrantes os recorrentes atentados que se fazem em algumas regiões, inclusive sobre cursos de água); com o desperdício hídrico e má gestão do consumo de água para fins diversos, a que não é alheia a pressão demográfica;  à falta de diversificação produtiva das regiões, com culturas mais resistentes, por exemplo; e até com a desflorestação territorial.

Em suma: há, claramente, medidas preventivas que não podem ser descuradas para a mitigação das secas em qualquer região, quer seja por modificação ou intensificação de políticas estratégicas ou pela implementação de novas medidas que assegurem a correta gestão dos nossos recursos hídricos e a sua monitorização respetiva. E esta gestão, indubitavelmente, deve também decorrer pela alteração dos comportamentos de consumo de cada um de nós, cidadãos.

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