Sugestões a empresas sobre endividadas

Se a empresa está preocupada com o nível de endividamento, provavelmente é porque tornou-se uma empresa financeiramente desorganizada. Até pode ser boa no que faz, ter boas margens brutas, mas a desorganização financeira pode ser suficiente para matar uma empresa.

No artigo de opinião da edição anterior voltei-me às famílias sobre endividadas. Desta vez vou voltar-me para as empresas em situação análoga.

A primeira sugestão que deixo a empresas sobre endividadas é o da humildade em reconhecer que a empresa tem um problema. Sim, tal como para um toxicodependente, o primeiro passo da empresa é reconhecer que tem um passivo que poderá tornar a empresa inviável se as taxas de juros subirem acima dum certo patamar correspondente a um cenário cada vez mais provável. Comece a planear e tomar medidas preventivas agora, não quando as taxas de juro
estiverem incomportáveis.

A segunda sugestão é, no processo de planeamento das medidas preventivas, considerar a hipótese de a empresa se reinventar, procurando fontes de receitas alternativas às que têm tido até então, posicionando-se no mercado com algo diferente, como o salto para o mundo digital, fazendo perguntas novas como “Devemos continuar apenas neste mercado maduro?” ou até algo que parece ser quase o contrário, como “Devemos nos focar só naquilo em que somos os melhores e alienar o resto”?

Em terceiro lugar, a empresa pode estudar formas de melhorar o processo produtivo, de diminuir custos por diminuição de desperdícios, de transformar os funcionários em colaboradores motivados que vestem a camisola, mas também pensar em certas despesas como investimento com retorno que pode valer a pena, como formação e publicidade.

A empresa pode também recorrer a consultoria externa para repensar a sua missão, atualizar os seus objetivos, definir alterações nas políticas. Uma consultoria de gestão pode ajudar uma empresa estagnada a voltar a crescer, pode ajudá-la a se reposicionar, pode melhorar as sinergias entre trabalhadores de departamentos que se veem como distantes e estanques, como se não estivessem todos a trabalhar para o mesmo objetivo.

Deixei para o fim o mais óbvio por considerar também o menos importante: renegociar as dívidas. Considero o menos importante por saber que os problemas financeiros não se resolvem com dinheiro, mas com mudanças nas ações, nas atitudes, nas mentalidades, nos pensamentos.

Existem várias formas de se renegociar dívidas: diretamente com o credor, por meio de refinanciamento, transferindo a dívida para outro credor. O primeiro passo é saber a dimensão da dívida consolidada. Por incrível que pareça, há pessoas que se dizem gerentes de empresas que nem sequer sabem qual o montante da dívida nem as taxas de juro que constituem encargos da empresa. Um segundo passo poderá entender como a conjuntura pode beneficiar a empresa nas condições de renegociação da dívida, procurando argumentos que convençam o credor que
será benéfico para ele renegociar a dívida. Um terceiro passo poderá ser uma atenção especial às propostas que sejam apresentadas: nem todas as propostas são melhores do que a situação pré-existente. Estude as propostas, faça contas e simulações, e ouça opiniões diversas.

Finalmente, aproveite a situação para se reorganizar financeiramente. Se a empresa está preocupada com o nível de endividamento, provavelmente é porque tornou-se uma empresa financeiramente desorganizada. Até pode ser boa no que faz, ter boas margens brutas, mas a desorganização financeira pode ser suficiente para matar uma empresa. Leia livros, faça cursos, veja vídeos sobre finanças pessoais e empresariais. Aprenda a organizar as dívidas. Deixe de ter uma empresa envergonhada, infeliz, limitada por causa do sobre endividamento. Torne-a uma empresa feliz, sustentável e vencedora a longo prazo, e não apenas num horizonte temporal imediatista.

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