Sustentabilidade passa por receber abelhas em “casa”. Vamos ajudar?

Uma empresa britânica criou o conceito e passou à prática. Abelhas solitárias juntem-se a nós. Que é como quem diz, “a nossa casa é a vossa casa”. Mas cada um na sua e com estilo. A pensar na preservação da biodiversidade.

© Bee Brick, Green&Blue

O condado de Sussex, no sudeste de Inglaterra, é muitas vezes associado ao título real de Harry e Meghan Markle, os Duques de Sussex. Banhada pelo English Channel no lado sul, esta região no sudeste de Inglaterra dista apenas uma hora de comboio de Londres e encontra-se dividida em três áreas distintas: East Sussex, West Sussex e a cidade de Brigthon and Hove. É a maior cidade do condado e o cais da época vitoriana é um dos seus principais cartões de visita, a par do Royal Pavillion, mandado construir no início do século XVIII pelo Rei George IV, sexto tio de Harry.

Mas não são as atrações desta cidade costeira britânica que desencadearam este artigo. E sim uma lei municipal de Brigthon and Hove que estipula que todas as novas construções com mais de cinco metros de altura devem incluir “tijolos para abelhas” – numa tradução livre de “bee bricks”. A dimensão destes tijolos é idêntica aos usados na construção. A diferença reside na existência de pequenas aberturas, semelhantes às usadas por abelhas solitárias.

 

© Bee Brick, Green&Blue

 

Uma política inovadora, que segue as pisadas de outras localidades inglesas nesta matéria, como Cornwall e Dorset. E sendo as abelhas fundamentais para a preservação da biodiversidade, há que pensar como podemos ajudar a inverter a quebra de população na sequência da perda de habitats e das alterações climáticas. O Reino Unido, aliás, tem números e estima que existam 250 espécies de abelhas solitárias que tendem a ser melhores polinizadoras do que as suas conterrâneas mais dadas a socializar. Porquê? Porque procuram pólen em diversas fontes, contribuindo assim para uma maior biodiversidade.

Será que funciona?

A ideia de criar uma casa dentro de “casa” partiu da empresa britânica Green&Blue. Os tijolos podem ser integrados na construção e permitem a coabitação pacífica entre humanos e abelhas solitárias. Pelo menos é essa a ambição de quem os criou e das câmaras que incentivam a sua utilização.

© Bee Brick, Green&Blue
© Bee Brick, Green&Blue

 

Cientistas e investigadores consideram que isto é melhor do que nada, mas alertam para o risco de greenwash por parte de construtores e empreiteiros, ou para outras consequências indesejadas – e não previstas – por quem pretenda genuinamente contribuir para a preservação das abelhas.

Se quiser conhecer um pouco melhor os “tijolos para abelhas”, veja aqui o vídeo que a Green&Blue criou para dar a conhecer melhor o seu conceito.

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