TAP vai voar este ano 50% das horas que voou em 2019, revela presidente do SITEMA

Paulo Manso, presidente do sindicato que representa os técnicos de manutenção de aeronaves, teve hoje uma reunião com a administração da companhia aérea nacional e está preocupado sobre a falta de dados relativa às eventuais rescisões que venham a incidir sobre esta classe profissional.

A TAP vai voar este ano 50% das horas que voou no ano de 2019, revela o presidente do SITEMA – Sindicato de Técnicos de Manutenção de Aeronaves, Paulo Manso, após uma reunião que se realizou hoje, dia 8 de janeiro, com a administração da companhia aérea nacional.

Face ao teor da reunião, Paulo Manso, presidente do SITEMA, afirma “dizem-nos que previsivelmente a TAP, em 2021, irá voar menos 50% das horas que voou em 2019, mas essa questão para o trabalho dos TMA [Técnicos de Manutenção de Aeronaves] não tem uma transposição direta”, revela este responsável num comunicado do SITEMA.

“O facto de um avião a voar menos ou de ser mais novo não implica necessariamente menos manutenção. O facto de um avião estar parado implica outro tipo de inspeções que têm de ser feitas e os modelos novos, como acontece com a maioria dos equipamentos, precisam de várias atualizações e melhoramentos que são da responsabilidade dos TMA”, esclarece o rteferido comunicado.

Paulo Manso acrescenta: “ficámos sinceramente satisfeitos com a abertura para a negociação, mas existem questões que nos continuam a preocupar, pois quando a frota da TAP cresceu, o rácio de TMA por avião não acompanhou esse crescimento”.

“Estávamos em défice de TMA se compararmos o nosso rácio com a média das companhias europeias e até com o da Ibéria que tem sido apontada como a principal concorrente da TAP. Se saírem mais colegas, o que o Governo está a propor é que continuemos em défice. Não achamos que essa situação contribua para a segurança dos passageiros da TAP”, defende Paulo Manso.

No mesmo comunicado, o SITEMA garante que acolhe o clima de paz social na transportadora aérea, mas diz continuar preocupado com a situação na empresa.

“Acordos amigáveis são solução preferencial para redução do peso da massa salarial”, destaca o comunicado em questão, alertando, contudo, que “não é conhecido o número de TMA a dispensar”.

A nota do sindicato acrescenta que “está expectante quanto à manutenção do clima de paz social promovido pelos responsáveis da TAP na reunião hoje ocorrida com os sindicatos do pessoal de terra e na qual o SITEMA participou”.

“Acordos de empresa, trabalho em ‘part-time’, rescisões por mútuo acordo, licenças sem vencimento, reformas e pré-reformas foram apontadas como as soluções preferenciais para reduzir os custos com a massa salarial, apontados pela administração da companhia aérea e pelo Governo como uma das soluções necessárias para manter a empresa viável”, advoga este sindicato.

A nota em apreço assinala ainda que na reunião que teve início às 10 horas da manhã de hoje “foi transmitido aos sindicatos que só depois de esgotadas estas soluções se recorrerá ao mecanismo de despedimento para dispensa de trabalhadores”.

“É neste ponto que persistem as dúvidas do SITEMA. Quando questionado sobre os números de redução de trabalhadores previstos especificamente na classe de TMA e sobre os critérios que assistem à identificação das pessoas eventualmente atingidas por esta decisão, Ramiro Sequeira, CEO da TAP e presente na reunião, adiou para as próximas semanas a transmissão desta informação ao sindicato”, revela o mesmo comunicado.

O secretário de Estado das Comunicações e Infraestruturas, Hugo Mendes, também presente na reunião, “avançou, ainda (…) que em 2021 haverá espaço para se iniciar a negociação dos Acordos de Empresa, realçando, também, que o regime sucedâneo não entrará já em vigor, para que se possa dar espaço à negociação de vários acordos de emergência”.

O SITEMA explica ainda que, nos últimos anos, mais de 100 profissionais TMA decidiram abandonar a TAP devido a condições contratuais, acrescentando que, na antevisão do atual Plano de Reestruturação, a TAP dispensou mais de 120 TMA, entre fins de contrato e cancelamento de formação base.

“Para a frota existente, antes da alienação de aeronaves e mantendo o rácio de 2001, deveriam existir 3.505 TMA, [mas,] no entanto, a equipa era constituída por 906 técnicos”, precisa o SITEMA.

Segundo os responsáveis do sindicato, “o rácio de TMA na TAP está atualmente abaixo da média praticada em companhias de referência como a Air France-KLM, Turkish Airlines ou a Swiss International Airlines, onde os valores se situam entre os três e os cinco técnicos por aeronave”, enquanto “a TAP apresenta um rácio de 1,44 TMA por avião” e, “atualmente, a Ibéria apresenta um rácio 5,6 TMA por avião, 3,86 vezes superior ao da TAP”.

“O SITEMA tem vindo a demonstrar a sua concordância com a necessidade de implementar uma reestruturação na TAP que incida, sobretudo, em transformações no desenho da estrutura hierárquica e no aumento da eficiência competitiva da empresa”, recorda o sindicato, sublinhando que, “em 2019, a TAP ME [Manutenção e Engenharia] apresentou resultados positivos de 47 milhões de euros”.

O SITEMA é uma organização sindical que representa os profissionais que desempenham funções de TMA. Atualmente, o SITEMA diz representar 95% dos TMA existentes em Portugal.

O SITEMA é sócio e faz parte integrante da AEI (Aircraft Engineers International) onde, em conjunto com colegas de outros países a nível mundial, organiza, defende e prepara os sócios e os TMA para os desafios da profissão.

 

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