Todo o serviço da Transtejo parado da parte da manhã devido à greve, informa sindicato

“Todo o serviço de passageiros [da Transtejo] esteve parado nas cinco estações [Montijo, Barreiro, Seixal, Cacilhas e Trafaria]” durante a manhã”, avançou Carlos Costa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Fluviais.

A greve dos trabalhadores da Transtejo, empresa que opera a travessia fluvial entre Lisboa e a margem Sul, levou hoje novamente à paragem de todo o serviço de passageiros durante a manhã, de acordo com fonte sindical.

“Todo o serviço de passageiros [da Transtejo] esteve parado nas cinco estações [Montijo, Barreiro, Seixal, Cacilhas e Trafaria]” durante a manhã”, avançou Carlos Costa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Fluviais, à Lusa, à Lusa , explicando que só saiu “um navio às 05:20” decretado pelos serviços mínimos pelo Tribunal Arbitral do CES – Conselho Económico e Social.

Os trabalhadores da Transtejo e da Soflusa iniciaram no sábado uma greve que termina na segunda-feira pela valorização salarial e contratação de funcionários.

“Hoje só voltou a sair o navio das 05:20 decretado pelo tribunal, que em dias de semana faz sentido porque é considerada uma carreira de necessidade porque muita gente usa para ir trabalhar. Amanhã [segunda-feira] sai a das 05:15 do Barreiro”, disse.

De acordo com o sindicalista, além destas duas primeiras carreiras, também a das 09:30 serve população que vai trabalhar, “são as duas imprescindíveis, pelo que não se percebe que o tribunal só tenha decretado como serviço mínimo a das cinco”.

Em resposta à Lusa, a Transtejo refere ter registado hoje uma adesão à greve “na ordem dos 79%, considerando os trabalhadores abrangidos pelo aviso prévio no período da noite e da manhã”.

“No âmbito dos serviços mínimos decretados foi realizada uma ligação fluvial, no sentido de Cacilhas – Cais do Sodré, pelas 05:20, com uma ocupação de 27 passageiros”, refere a nota da empresa, acrescentando que, “não se efetuou, até ao momento, qualquer outra carreira nas restantes ligações fluviais”.

De acordo com a mesma nota, a empresa registou no total do primeiro dia de greve, no sábado, uma adesão de 74%.

À semelhança do primeiro dia de greve, tambem hoje os terminais estão fechados.

Os trabalhadores da Transtejo param sábado e domingo, pela reposição do poder de compra e valorização dos salários, enquanto os da Soflusa juntam-se hoje – a partir das 15:00 – e na segunda-feira à luta.

Na sua página da internet, a Transtejo/Soflusa alerta para a interrupção de serviço das carreiras, no domingo e segunda-feira por motivo de realização de greves, salientando não ser possível garantir o serviço regular de transporte fluvial.

Segundo a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), esta é a resposta dos trabalhadores à proposta da administração, sob orientações do Governo, de 0,9% de aumentos salariais quando se verifica um aumento do custo de vida e quando a inflação homóloga se situou nos 7,2% em abril.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) terá aumentado para 8,0% em maio, face aos 7,2% de abril, o valor mais alto desde fevereiro de 1993.

A Transtejo e a Soflusa têm a mesma administração e ambas asseguram as ligações fluviais entre a margem sul e Lisboa, sendo a Transtejo responsável pela ligação do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão, no distrito de Setúbal, a Lisboa, enquanto a Soflusa faz a travessia entre o Barreiro, também no distrito de Setúbal, e o Terreiro do Paço, em Lisboa.

Além da questão salarial, os trabalhadores da Soflusa exigem também a contratação de trabalhadores.

Segundo Carlos Costa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Fluviais, a empresa precisa de mais 13 maquinistas.

“A Soflusa precisa de 13 maquinistas para completar as 34 tripulações que tem, porque só tem 11 maquinistas neste momento”, explicou.

Segundo o sindicalista, uma tripulação é composta por um maquinista, um mestre e dois marinheiros.

Carlos Costa revelou ainda à Lusa que, desde fevereiro e até agora, os constrangimentos por falta de trabalhadores já levaram “à supressão de 900 carreiras, numa média de 20 por dia”.

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