Turquia tenta assegurar compra de caças F-16 norte-americanos

O Congresso norte-americano não está especialmente interessado em que a Turquia possa comprar mais 40 caças F-16 norte-americanos. Uma delegação de Ancara vai partir para os Estados Unidos para acompanhar a evolução do problema.

Recep Tayyip Erdogan

Uma delegação ministerial turca visitará Washington na próxima semana para acompanhar a decisão do presidente dos Estados Unidos de entregar caças F-16 à força aérea da Turquia, revelou fonte do governo esta terça-feira.

O ministro da Defesa, Hulusi Akar, disse que a equipa chegará a Washington na próxima segunda-feira, a convite de autoridades norte-americanas – sendo que o maior problema é a oposição de uma parte do Congresso dos Estados Unidos, preocupada com as tensões que, uma vez transferidos os caças, possam reacender-se entre a Turquia e a Grécia.

Apesar de os dois países integrarem a NATO, o certo é que o equilíbrio de poder de fogo entre as duas nações é uma preocupação central do topo da aliança atlântica, dados os constantes desentendimentos entre Ancara e Atenas.

O ministro disse que o seu governo se opõe firmemente às condições de venda solicitadas por alguns membros do Congresso norte-americano: “Não podemos aceitar essas condições. O nosso desejo é que o Senado as remova”, disse.

A Câmara dos Representantes aprovou legislação que impediria a venda dos F-16 a Ancara, a menos que o governo certifique que isso é essencial para a segurança nacional dos Estados Unidos e que não haverá voos não autorizados sobre a Grécia.

Ancara, que pretende comprar 40 caças F-16 fabricados pela Lockheed Martin e kits de modernização para os aparelhos que já possui no seu arsenal, pretende certificar-se que Biden tudo fará para convencer o Congresso a aprovar a venda sem restrições – tal como prometeu ao presidente turco Recep Erdogan à margem de cimeira de junho da NATO.

Sem que Ancara alguma vez o tivesse confirmado, os analistas consideraram desde o início que a recusa da Turquia em aceitar a entrada da Suécia e da Finlândia na NATO era uma forma de pressionar os Estados Unidos a aceitar vender os aviões. Ultrapassada essa questão – a Turquia aceitou a entrada dos dois países, tal como todos os envolvidos esperavam – Ancara quer agora poder fazer a compra.

Mas, para além de diversos problemas que têm marcado as relações entre Ancara e Washington, o Congresso norte-americano não se esquece que o governo turco decidiu adquirir há alguns anos o sistema de mísseis de defesa S-400 fabricado pela Rússia, desencadeando sanções dos Estados Unidos – que retirou a Turquia do programa de venda de caças F-35 – e a reserva da NATO.

Recomendadas

Josep Borrell pressiona Israel sobre os palestinianos

O primeiro-ministro israelita Yair Lapid e o chefe de política externa da União desentenderam da reunião do Conselho da União Europeia-Israel, em Bruxelas. Pontos de vista diferentes sobre a Palestina e sobre o Irão ficaram bem evidentes.

Bulgária: eleições longe de resolverem crise política

Acusado de corrupção, o GERB voltou a ganhar as eleições e arrisca manter o país ingovernável. A única forma de ultrapassar o impasse seria um governo de coligação entre os dois maiores partidos, mas isso não parece estar no horizonte.

Indonésia. Polícia sob pressão pelo uso indiscriminado de gás lacrimogéneo

Os desacatos num estádio de futebol resultaram em 125 mortos, 17 dos quais crianças, de acordo com as autoridades. A atuação da polícia gerou o caos e vai contra as indicações da FIFA.
Comentários