União Europeia e EUA juntos contra China na Organização Mundial do Comércio

Americanos e europeus pretendem negar à China o estatuto de economia de mercado, alegando que as suas políticas distorcem a livre concorrência.

Bobby Yip/Reuters

A União Europeia e os EUA estão unidos na rejeição da atribuição do estatuto de economia de mercado à China na reunião da Organização Mundial do Comércio, a ter lugar em Buenos Aires.

A China pretende a obtenção deste estatuto já que este permitiria à economia chinesa deixar de estar sujeita a uma série de tarifas anti-dumping. O governo chinês argumenta que deveria ter recebido esse estatuto o ano passado, mas americanos e europeus queixam-se de que os subsídios estatais às empresas detidas pelo Estado chinês, bem como as regras do financiamento e investimento estatal provocam distorções no mercado, com o efeito pernicioso de criar uma “sobrecapacidade” em indústrias como o aço e o alumínio, que entram no mercado mundial a preços mais baixos que as exportações europeias e americanas e levam, argumentam os governos críticos da política chinesa, à destruição de empregos nos seus países.

O governo japonês, através do ministro da Economia e do Comércio Hiroshige Seko, já mostrou o seu apoio à iniciativa euro-americana. “O comércio livre”, disse Seko, “só funciona quando garantimos condições justas para a concorrência”. Para o ministro japonês, “as condições de mercado justas não podem ser negativamente afetadas por medidas que os distorçam, como subsídios, transferência forçada de tecnologia, violação dos direitos de propriedade intelectual e práticas de comércio injustas por parte de empresas detidas pelo Estado”.

Segundo o representante dos EUA para o Comércio, Robert Lightizer, “é impossível negociar novas regras quando muitas das atuais não estão a ser seguidas”, e que esse desrespeito por parte dos chineses é “intencional”.

A China mostrou a sua “forte insatisfação e firme oposição” à posição euro-americana. O Ministro do Comércio chinês, Zhong Shan, afirmou que “não acreditamos que haja qualquer outra instituição que possa promover o comérico como a OMC, e portanto devermos prosseguir com a globalização de forma a tornar o mundo mais aberto, inclusivo e equitativo”.

Recomendadas

Fitch: Crise energética e custo de financiamento conduzem a recessão na Europa Ocidental ainda este ano

A agência de rating estima que o crescimento real médio do PIB da região é de apenas 0,8% em 2023, significativamente abaixo dos 3,8% em 2022. “Acreditamos que a zona do euro entrará em recessão a partir do quatro trimestre de 2022”, acrescenta.

Circulação paga do Jornal Económico dispara 23% desde janeiro

A subida da circulação paga do Jornal Económico contraria a tendência do sector e deveu-se às assinaturas digitais, que tiveram um crescimento de 2,9%, mas também às vendas da edição impressa, que registaram um aumento de 19% face ao primeiro trimestre do ano. Este desempenho compara com a descida de 5,8% na circulação paga do líder de mercado, o “Jornal de Negócios”.

Governo alarga prazos de pagamento do IMI e do IUC para 2 de dezembro

“Não são devidos quaisquer juros ou penalidades associados a este alargamento dos prazos”, diz o Ministério das Finanças em comunicado. Em causa estão os “constrangimentos informáticos verificados temporariamente no Portal das Finanças na manhã de quarta-feira, 30 de novembro”. Prazo terminava ontem.
Comentários