Venda das barragens “vai fortalecer perfil financeiro da EDP”, prevê Moody’s

“A alienação prevista deve permitir à EDP reforçar o seu perfil financeiro e demonstrar, em 2020, rácios mais estreitamente alinhados com as orientações para a atual classificação Baa3”, explica a agência de notação financeira norte-americana.

Cristina Bernardo

A Moody’s considera que a venda dos seis ativos hídricos em Portugal por parte da EDP – Energias de Portugal [Baa3 estável] é positiva para o crédito da empresa, porque os recursos serão utilizados para reduzir a dívida líquida e financiar o programa de investimento de capital do grupo nacional.

Segundo os analistas da agência de notação financeira norte-americana, a alienação dessas barragens do Douro – alinhada com o plano estratégico 2019-22 da EDP apresentado em março – “vai fortalecer o perfil financeiro” da multinacional e melhorar “de forma modesta” o seu perfil de risco.

A EDP anunciou na quinta-feira que acordou a venda de um portefólio de seis centrais hídricas em Portugal ao consórcio de investidores formado pela Engie (participação de 40%), Crédit Agricole Assurances (35%) e Mirova – Grupo Natixis (25%), numa transação de 2,2 mil milhões de euros.

As centrais hídricas em processo de alienação totalizam 1.689 MW de capacidade instalada e localizam-se na bacia hidrográfica do rio Douro, nomeadamente, três centrais de fio de água (Miranda, Bemposta e Picote) com 1,2 gigawatts (GW) de capacidade instalada e  três centrais de albufeira com bombagem (Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro) com 0,5 GW de capacidade instalada, informou a EDP, em comunicado divulgado pela CMVM.

“Esperamos que as métricas de crédito da EDP em 2019 estejam um pouco abaixo dos níveis de 2018, refletindo notavelmente os baixos volumes hídricos na Península Ibérica. No entanto, a alienação prevista deve permitir à EDP reforçar o seu perfil financeiro e demonstrar, em 2020, rácios mais estreitamente alinhados com as orientações para a atual classificação Baa3”, explica a Moody’s.

“A transação terá um impacto na dívida líquida da Engie de 650 milhões de euros, cerca de 1,7% da dívida líquida ajustada projetada pela Moody’s a  31 de dezembro de 2019”, pode ler-se no relatório tornado público esta manhã.

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