Yupido acusada de má-fé pelo próprio auditor

Ainda antes de a Yupido se tornar um tema quente na agenda noticiosa portuguesa, os auditores de contas da empresa já tentavam sair. O motivo foi a falta de confiança na empresa, que acusa de “situações de falta de boa-fé ou de transparência”.

José Rito e Maria Clara Ribeiro eram os fiscais das contas da Yupido, a empresa portuguesa que se tornou viral na semana passada quando se descobriu que valia 29 mil milhões de euros, mais de duas vezes o valor da Galp, por exemplo. A saída dos dois contabilistas prende-se com a “quebra de confiança na administração”, conforme indica ao Jornal de Notícias José Rito, que diz ainda que já antes de a Yupido ser conhecida, tentava deixar a empresa.

Rito refere não ter certificado as contas da empresa de 2016, ao contrário do que vem indicado no Relatório e Contas da Yupido referente a esse ano: “Isso não é verdade. O documento de certificação de contas que eles me apresentaram foi rejeitado por informação insuficiente relativamente às operações, nomeadamente em relação ao aumento de capital efetuado”, diz ao jornal.

Este aumento de capital, que elevou o valor da empresa para os tão falados 29 mil milhões, foi feito utilizando ativos intangíveis e a avaliação da empresa foi feita por um revisor oficial de contas independente. Apesar disso, Rito afirma que a avaliação levada a cabo não o convenceu: “Não me considero satisfeito com as informações que me foram prestadas pelo revisor independente e muito menos pela Administração”, declara, acrescentando que, ao longo do tempo, detetou outras “situações de falta de boa-fé ou de transparência. Vim a constatar que houve informações que me prestaram que não eram verdade.”

Recorde-se que o caso tem estado a ser investigado pela Polícia Judiciária, pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e também pela Ordem dos Revisores Oficiais de Contas. Francisco Mendes, porta-voz da empresa, garante que tudo está dentro da lei e que a empresa está a trabalhar com as autoridades.

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