Ministro do Ambiente classifica caçada da Torre Bela de ato “vil” e “inaceitável”

O ministro do Ambiente referiu que o sucedido é “um crime ambiental”.  “Sem nenhuma pressão, este é o tempo de voltar a olhar para a lei da caça”, garantiu Matos Fernandes.

Tiago Petinga/Lusa

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, referiu-se à morte dos 540 animais na Azambuja, na Torre Bela como tendo sido um ato “vil e inaceitável” e também criticou a “gabarolice” dos caçadores que partilharam fotografias da morte dos animais.

“É um ato vil e ignóbil. É inaceitável que se proceda à matança generalizada de 540 animais da forma como aconteceu”, apontou João Pedro Matos Fernandes criticando a “gabarolice dos próprios caçadores à frente daqueles animais que mataram”.

Em declarações à RTP, o ministro do Ambiente referiu que o sucedido é “um crime ambiental”.  “Sem nenhuma pressão, este é o tempo de voltar a olhar para a lei da caça”, garantiu Matos Fernandes. “Há princípios básicos da lei de bases do ambiente que foram desrespeitados”, defendeu.

O ministro do Ambiente também apontou que “o ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas] vai, de imediato, revogar a licença da caça e vai, com um trabalho que está hoje a fazer no terreno, apresentar uma queixa ao Ministério Público porque, muito provavelmente, terão de ser criminalizados quem organizou, quem tem aquela licença e, muito provavelmente, os próprios caçadores que nela participaram”.

Além do Governo, o PAN requereu esta terça-feira, audição com o ministro do Ambiente. O PAN quer “apurar o que levou à autorização desta montaria, numa zona de grande sensibilidade ecológica, envolta em polémica, para onde está, inclusivamente, prevista a instalação de uma central fotovoltaica com 775 hectares”.

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O PAN “já questionou o Governo, através do Ministério do Ambiente e Ação Climática, liderado por João Pedro Matos Fernandes, com vista a apurar o que levou à autorização desta montaria, numa zona de grande sensibilidade ecológica, envolta em polémica, para onde está, inclusivamente, prevista a instalação de uma central fotovoltaica com 775 hectares”.
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