“Os próximos trimestres deverão ser de desaceleração”, diz Fórum para a Competitividade

A instituição liderada pelo empresário Pedro Ferraz da Costa comenta a subida da inflação e a contração trimestral do PIB. “A quase paralisia do investimento público, que terá agravado este cenário, quando poderia ter contribuído para o contrariar”, alerta o fórum.

O Fórum para a Competitividade voltou esta sexta-feira a pronunciar-se sobre o cenário macroeconómico que espera para os meses que aí vêm e antecipa que “os próximos trimestres deverão ser de desaceleração” devido à conjuntura internacional, marcada por uma escalada da inflação e das taxas de juro e por riscos geopolíticos com a continuação da guerra na Ucrânia.

“Existe o risco de a Rússia diminuir o fornecimento de gás natural à União Europeia, de que resultaria um acelerar da inflação e um abrandamento do crescimento ou mesmo uma recessão”, reiterou a instituição liderada por Pedro Ferraz da Costa, na Síntese de Conjuntura Económica nº75.

O comentário surge poucas horas depois de o INE ter revelado que a inflação em Portugal subiu novamente, de 8,7% em junho para 9,1%, de julho, o que a coloca mais uma vez acima da inflação da zona euro (8,9%) e no valor mais alto desde novembro de 1992. A notícia chega na mesma manhã em que Portugal confirmou que no segundo trimestre houve uma contração económica em cadeia. Entre abril e junho, o PIB nacional recuou 0,2% face ao trimestre anterior, pior do que o esperado, e desacelerou de 11,8% para 6,9% em termos homólogos.

“A queda trimestral do PIB ficou a dever-se à procura interna, provavelmente ao consumo privado, e também ao investimento, afetado pela incerteza devido à guerra, a subida das taxas de juro e elevados custos na construção. Refira-se também a quase paralisia do investimento público, que terá agravado este cenário, quando poderia ter contribuído para o contrariar”, apontaram os especialistas deste fórum, para quem “a boa notícia” é que houve um contributo positivo da procura externa líquida, com o crescimento das exportações, superior ao das importações.

No início da semana, o Ministério das Finanças adiantou que a execução orçamental até junho deste ano registou um excedente de 1.113 milhões de euros, depois de maio ter verificado um défice de 411 milhões de euros. A receita fiscal aumentou no primeiro semestre face ao que estava orçamentado (+6,5%), em 4,3 mil milhões de euros (1,9% do PIB).

“Não se compreende como é que, em simultâneo, há um montante tão elevado de receita fiscal acima do esperado e uma quase paralisia do investimento público”, reagiu a organização, advertindo ainda para o facto de nas últimas quatro semanas, a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ter voltado a cair abruptamente, passando de 220 milhões de euros para 27 milhões de euros.

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