Testes negativos, teletrabalho e encerramento de bares. Tudo o que muda a partir de 25 de dezembro

Discotecas, bares, creches e ATL encerram as portas a partir do Natal numa altura em que o teletrabalho volta a ser obrigatório e Governo reforça a testagem massiva. Saiba tudo o que muda a partir do dia 25 de dezembro.

Manuel de Almeida/Lusa

O aumento de novos casos obrigou o Governo a adotar novas medidas de combate à Covid-19 que entram em vigor já a partir do próximo dia 25 de dezembro. As diretrizes foram anunciadas esta terça-feira, 21 de dezembro, pelo primeiro-ministro, António Costa, durante o briefing realizado após o final do Conselho de Ministros.

Tal como se previa, a obrigatoriedade do teletrabalho vai ser antecipada e assim, a partir de 25 de dezembro, os portugueses deverão trabalhar a partir de casa sempre que possível.

“[Decidimos] antecipar já para o início da próxima semana, para as 00h00 do dia 25 de dezembro um conjunto de medidas que tínhamos apenas para a semana de contenção e, por isso, a partir das 00h00 do próximo dia 25 o teletrabalho passa a ser obrigatório”, referiu o primeiro-ministro, em conferência de imprensa.

António Costa confirmou ainda o encerramento antecipado dos bares e discotecas até dia 9 de janeiro de 2022 — algo que para a Associação Portuguesa Bares, Discotecas e Animadores poderá resultar numa providência cautelar uma vez que vai contra o período de encerramento estipulado inicialmente.

“Esta nova variante suscita muitas interrogações e é muitíssimo mais transmissível do que a variante Delta. A má notícia é que a taxa de incidência tem vindo a crescer. A boa notícia é que, com a testagem massiva, o famoso Rt [índice de transmissibilidade] tem vindo a diminuir”, salientou o primeiro-ministro.

Em linha com o encerramento das discotecas e bares, surge também o encerramento das cresces e ATL — encerramento esse que começa a partir da meia noite de dia 25 de dezembro e se prolonga, pelo menos, até ao próximo dia 10 de janeiro.

O líder do Executivo garante que haverá apoios às famílias que tenham de ficar com os filhos em casa. Os auxílios não foram detalhados, mas deverão compreender os mesmos que foram aplicados nos anteriores confinamentos para quem tivesse de ficar com um menor de 12 anos devido ao encerramento da escola.

Outra medida anunciada remete para a proibição dos ajuntamentos na via pública de grupos com mais de 10 pessoas para os dias 24 e 25 de dezembro e festejos do ano novo (de 30 de dezembro a 1 de janeiro). Além desta proibição, as pessoas ficam impedidas de consumir bebidas alcoolicas na via pública durante o mesmo período.

Durante este período será também obrigatório a apresentação de um teste negativo para entrar nos restaurantes, casinos e festas de passagem de ano, aos quais se juntam o acesso a estabelecimentos turísticos, alojamento local e cerimónias familiares como casamentos e batizados.

O Governo também decidiu exigir um teste negativo obrigatório nos espetáculos culturais e os recintos desportivos, exceto quando decisão da DGS. António Costa anunciou ainda a redução da lotação em espaços comerciais para uma pessoa em cinco metros quadrados.

O primeiro-ministro explicou que as medidas adoptadas “estendem-se até dia 10 de janeiro” e que a proposta apresentada pelos epidemiologistas ouvidos pelo Governo sugere que a 5 de janeiro seja feita uma avaliação da situação existente.

“Acho que já todos aprendemos ao longo desta pandemia que não é uma questão de fé ou de ser optimista ou pessimista, é uma questão de ser realista. Portanto, a cada passo que damos ver qual é a situação em que estamos e se podemos relaxar as medidas ou se, pelo contrário, temos de ter medidas mais intensas. É isso que temos feito ao longo desta pandemia e temos de ter todos a humildade de ir vendo os resultados em concreto e ajustá-los em função da evolução”, acrescentou António Costa.

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